Esta foto foi escolhida pela BBC 28 de setembro, 2012 como uma das 20 mais bonitas

Sejamos proativos nas questões relacionadas às mudanças climáticas, pois não seremos poupados de seus efeitos devastadores a curto e longo prazo.
gmsnat@yahoo.com.br
Um Blog diferente. Para pessoas diferentes!

Grato por apreciar o Blog.
Comentários relevantes e corteses são incentivados. Dúvidas, críticas construtivas e até mesmo debates também são bem-vindos. Comentários que caracterizem ataques pessoais, insultos, ofensivos, spam ou inadequados ao tema do post serão editados ou apagados.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

O ASSUSTADOR BURACO GIGANTE DA SIBÉRIA



Deu em vários jornais e sites mundo afora: um misterioso e assustador buraco de dimensões abissais apareceu, do nada, em uma região remota da Sibéria - em território russo - chamada Yamal. A hipótese da queda de um meteoro foi descartada.
Claro, o fato despertou as mais estapafúrdias especulações sobre a causa do surgimento da sinistra abertura na terra. De bunker de ovnis à ação de uma minhoca gigante saída das profundezas do inferno.


Teorias esotéricas à parte, os cientistas estão começando a investigar a estranha cratera com cerca de 80 metros de largura e tão profunda que ainda não foi mensurada. As mais recentes notícias dão conta de que equipes de pesquisadores acabaram de chegar à Yamal para coletar dados e amostras. Já há suspeitas, contudo, de que pode se tratar do efeito nefasto do aquecimento global, especialmente naquele lugar remoto do planeta.
A região de Yamal - que sugestivamente significa "fim do mundo" - está 1.800 quilômetros a leste de Moscou. Ela é recoberta com permafrost, solo composto por terra, gelo e rochas congeladas por milhares de anos. O permafrost aprisiona toneladas de gás carbônico e metano, os principais gases que - se liberados - contribuem para potencializar o aquecimento global.
A pesquisadora Anna Kurchatova, do Centro de Investigação Científica do Sub-Ártico, acredita que o buraco foi formado por uma mistura de água, sal e gás, desencadeando uma explosão subterrânea de incríveis proporções. O permafrost estaria derretendo e liberando perigosamente os gases para a atmosfera.

Kurchatova disse ao jornal The Siberian Times que o efeito do aquecimento global provavelmente teria causado o rápido derretimento de gelo. Impregnado de gases, o gelo liquefeito pode ter provocado uma ação semelhante à de "estourar uma rolha de garrafa de champanhe" formando a cratera.
Outro cientista, Chris Fogwill, da Universidade de New South Wales, também acredita que o aquecimento global está contribuindo para o derretimento do gelo siberiano.
"Estamos vendo muito mais atividade de derretimento em áreas de permafrost do que vimos no passado histórico. Isto, de alguma forma, está relacionado ao aumento das temperaturas em regiões árticas altas, que certamente já estão experimentando os efeitos do aquecimento da Terra", afirmou Fogwill.
A cientista russa Anna Kurchatova teme que uma nova explosão possa colocar em risco os inúmeros gasodutos subterrâneos que atravessam aquela região da Sibéria, também rica em petróleo.
Mais assustador do que a largura e a profundidade do buraco siberiano é constatar - se comprovada a teoria dos cientistas - o tamanho do estrago que o homem está causando ao planeta

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

GOOGLE VAI GASTAR UM BILHÃO DE DÓLARES EM SATÉLITES QUE ESPALHARÃO WI-FI GRATUITO POR TODO O PLANETA


Google Inc. Imagem – GIZMODO

O Google possui um novo e ambicioso projeto para levar internet aos mais de 7 bilhões de habitantes do planeta Terra. Fontes familiarizadas com o assunto disseram ao Wall Street Journal que a empresa de Larry Page e Sergey Brin vai investir o equivalente entre US$ 1 bilhão e US$ 3 bilhões na construção de satélites para levar acesso à web a locais isolados do globo. O projeto ainda não teve muitos detalhes revelados porque as negociações não foram totalmente concluídas. Até o momento, sabe-se que a iniciativa contará com 180 pequenos satélites de alta capacidade, que serão colocados em órbita a altitudes mais baixas que os satélites comuns. Os custos dependerão da infraestrutura de rede e da possibilidade de dobrar o número de satélites em operação. O WSJ afirma que o projeto é liderado por Greg Wyler, fundador da startup focada em comunicações por satélites O3b Networks. Além de Wyler, participam da empreitada uma série de engenheiros que trabalhavam na empresa Space System/Loral LLC – no total, a equipe liderada pelo executivo é composta por 20 pessoas que respondem diretamente ao cofundador da gigante das buscas, Larry Page. Jamie Goldstein, um diretor da O3b, disse que não pode comentar sobre o que Wyler está trabalhando devido a um acordo de confidencialidade com o Google. Procurada pela jornal, a companhia comentou apenas que está focada em atrair centenas de milhões de novos usuários online. "A conexão da internet significativamente melhora as vidas das pessoas. Ainda assim, dois terços do mundo não têm nenhum acesso. Ainda é cedo, mas os satélites atmosféricos podem ajudar a levar acesso à internet a milhões de pessoas", disse. Os rumores sobre esse projeto com satélites vão de encontro a uma recente aquisição do Google. Em abril, a empresa anunciou a compra da Titan Aerospace, uma fabricante norte-americana de drones que possui uma série de unidades de pesquisa e desenvolvimento no estado do Novo México, nos EUA. A entidade fabricou protótipos que funcionam com energia solar e podem permanecer durante cinco anos no ar, a 20 quilômetros de altitude. Os protótipos também podem desempenhar a maioria das tarefas que os satélites geoestacionários. Talvez os equipamentos que o Google coloque no céu não sejam como os satélites que orbitam no espaço, mas sim máquinas semelhantes aos drones que poderiam se locomover entre uma região e outra. Além da Titan Aerospace, foi adquirida a Makani, responsável por uma tecnologia de turbinas que utilizam o vento como fonte de energia e contribui para dar autonomia aos equipamentos que, um dia, poderão ser colocados em uso pela gigante das buscas.
Vale lembrar que o Google já possui um outro projeto com o objetivo de levar internet a zonas remotas do planeta. O "Loon" é uma criação dos laboratórios secretos Google X e foi desenvolvido pela Força Aérea norte-americana. Ainda não há previsão de quando eles estarão nos céus, mas a empresa continua realizando testes com os equipamentos - um dos mais recentes inclui uma volta ao mundo em 22 dias, em um trajeto de aproximadamente 500 mil quilômetros que passou pelo Oceano Pacífico, Chile, Argentina, Austrália e Nova Zelândia. Também há previsão de que o Project Loon chegue ao Brasil. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, em outubro do ano passado, Mohammad Gawdat, vice-presidente de inovação empresarial do Google X, comentou que se reuniu com o governo para discutir a implantação do projeto no país. "Vamos ouvir o ministro das Comunicações do Brasil (Paulo Bernardo) para saber quais são as necessidades do país, qual parcela da população não tem acesso à internet, que tipo de acesso as pessoas estão procurando e como as operadoras de telefonia trabalham", disse.

domingo, 10 de janeiro de 2016

PARTENOGÊNESE - OS NOVOS CASOS DE ANIMAIS QUE “ENGRAVIDAM” MESMO SEM ACASALAR


Cientistas durante anos acreditaram que todos os lagarto tegu de Muller eram fêmeas - Imagem Sergio Marques de Souza

A partenogênese, o fenômeno dos partos virgens no mundo animal, já é conhecida. Alguns são assexuados e não precisam de machos para engravidar (algumas espécies de lagarto, por exemplo).
Mas o que costuma chamar mais a atenção são os casos de animais de espécies que normalmente se acasalam. E quatro novas instâncias foram descobertas em 2015.
Bicho-pau
Fêmeas dessa espécie australiana de inseto vão se acasalar quando lhes convier. Elas também desenvolveram métodos para repelir machos para que também possam de reproduzir sem interferência.
Um estudo publicado pela revista científica especializada Animal Behaviour, em março, sugeriu que não é uma questão de escassez de machos que determina a partenogênese no bicho-pau, mas que o ato sexual pode ser sofrido para as fêmeas. Por isso, algumas desenvolveram métodos para lá de criativos para fugir de machos mais cheios de libido.
 Para o bicho-pau australiano, "assédio sexual" levou à partenogênese -  Imagem Alamy
Elas podem exalar um cheiro "antiafrodisíaco", que desestimularia tentativas de acasalamento. Para lidar com machos insistentes, as fêmeas do bicho-pau simplesmente dão chutes nos pretendentes.
"Algumas fêmeas conseguiram deixar de ser atraentes para machos depois de se reproduzirem de forma partenogênica e essas fêmeas continuando a procriar especificamente desta maneira", diz o estudo.
Toda a cria de partenogênese é fêmea, o que pode provocar um grave desequilíbrio populacional caso as fêmeas sigam em "carreira solo". Mas os pesquisadores contam que machos ainda conseguem subjugar fêmeas mais do que serem derrotados.
Cobras
A partenogênese já foi detectada em diversas espécies de cobras criadas em cativeiro, mas durante muito tempo acreditou-se que se tratava de algo que fêmeas faziam quando não havia machos por perto.
Uma serpente fêmea isolada em cativeiro, sem contato com um macho, é mãe de dois filhotes. A espécie caiçaca ou jararacão (Bothrops moojeni) vive na Casa dos Animais Interessantes, do Aquário Municipal de Campinas, e que fica no Zoológico do Bosque dos Jequitibás. O fato do réptil procriar sem o acasalamento é raro e a hipótese provável é que ocorreu uma partenogênese, ou seja, uma reprodução assexuada – algo muito incomum em um vertebrado -, segundo a bióloga do aquário, Denise Polydoro. Os dois filhotes são sobreviventes de uma ninhada de 23 ovos dos quais 20 não se desenvolveram (atrésicos). Dos três ovos restantes, vingaram apenas os dois filhos já que do terceiro ovo o filhote estava morto. A serpente está em Campinas desde 2006, proveniente do Zoológico de Sorocaba, também interior de São Paulo. Desde então ela não teve contato com nenhum outro exemplar de sua espécie. Em janeiro de 2010 a serpente também chegou a pôr ovos, porém nenhum dos filhotes sobreviveu.
Serpente fêmea isolada em cativeiro, sem contato com um macho, é mãe de dois filhotes.
Em 2012, porém, o pesquisador Warren Booth, da Universidade de Tulsa (EUA), descobriu duas ninhadas selvagens de uma espécie de víboras tinham nascido por partenogênese.
Foi a primeira vez que houve documentação deste fenômeno em cobras selvagens e que não tinham suposto acesso a machos. Uma das cobras sobreviveu e também deu cria meses mais tarde.
 Esta cobra nasceu de um "parto virgem" - Imagem Kyle Shepherd
Em 2015, outra equipe de pesquisadores descobriu outra ocorrência entre víboras. Mas os filhotes não sobreviveram, o que sugere que a partenogênese não é a forma ideal de reprodução. "Essas cobras são metade clonadas de suas mães, o que a faz delas altamente inatas. A partenogênese causa muita mortalidade e falta de desenvolvimento", explica um dos autores do estudo, Mark Jordan, da Universidade Purdue, também nos EUA.
Jordan, porém, diz ter evidências de como essa forma de reprodução tem sido fundamental para a biologia das víboras. "É um recurso que as fêmeas podem usar periodicamente, em situações em que não há machos por perto, em que as populações são pequenas ou quando as cobras estão mudando de habitat".
Peixe-serra
O ano de 2015 marcou a primeira ocorrência de um "parto virgem" em vertebrados selvagens que nunca tinham sido aprisionados. O animal em questão é o peixe-serra de dentes pequenos, que nunca tinha sido documentado praticando a partenogênese.
Partos virgens já tinham sido vistos em tubarões, que são "parentes" dos peixes-serra, mas apenas em espécimes cativos. É através de testes genéticos que se detecta a partenogênese. Segundo um trabalho publicado no Current Biology em junho, pelo menos sete exemplares saudáveis foram identificados.
 Assim como tubarões, peixes-serra também recorrem à partenogênese - Imagem RD Grubbs
A descoberta ocorreu por acaso: populações de peixe-serra estão diminuindo, e biólogos marinhos estão estudando geneticamente suas populações para entender a consequência das ameaças de extinção. Os filhotes descobertos eram saudáveis e seguiam crescendo. O que os pesquisadores ainda não sabem é a razão pela qual a partenogênese ocorreu entre os peixes.
Especulam que pode ser uma estratégia para contrabalançar baixos níveis populacionais. "Se elas não encontram machos, é possível que o mecanismo seja acionado como um último esforço", explica Kevin Feldheim, do Museu Field de História Natural de Chicago.
Lagartos
Lagartos não deveriam estar nessa lista porque já se sabe que são espécies com partos virgens e assexuados. Não há outra maneira senão se reproduzir sozinho.
Oito lagartos tegu de Miller machos foram descobertos entre 192 adultos encontrados em 34 diferentes locações na América do Sul.
Mas a história é mais complicada: o Journal of Herpetology publicou em agosto um estudo revelando haver machos em uma espécie supostamente toda feminina.
Foi a primeira vez que um macho desta espécie foi encontrado, e isso sugere que os tegu também se reproduzem de forma sexual. No entanto, um dos cientistas responsáveis pela descoberta, o brasileiro Sérgio Marques de Souza, da USP, conta que as fêmeas partenogênicas não parecem mudar de comportamento.
Oito machos do lagarto tegu de Miller foram encontrados na América do Sul - Imagem Sergio Marques de Souza
A existência de machos, porém, oferece pistas sobre a origem dos partos virgens entre os tegus. Acredita-se que a partenogênese ocorra em lagartos por meio da hibridização - quando duas espécies relacionadas se acasalam, resultando em uma nova. Todas as crias desses híbridos são fêmeas. A descoberta dos machos sugere que a partenogênese possa ter surgido de pressões ambientais.
Souza diz ainda que análises revelaram que os tegus estariam praticando a partenogênese há pelo menos 4 milhões de anos. "Isso contraria estudos anteriores que propõem a tese de que organismos partenogênicos têm baixa variação genética e pouco sucesso evolucionário", diz o cientista brasileiro.
Leia a versão original desta reportagem (em inglês) no site BBC Earth.