Esta foto foi escolhida pela BBC 28 de setembro, 2012 como uma das 20 mais bonitas

Sejamos proativos nas questões relacionadas às mudanças climáticas, pois não seremos poupados de seus efeitos devastadores a curto e longo prazo.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2016

NASA MOSTRAM QUAIS SÃO OS PAÍSES MAIS POLUÍDOS DO MUNDO



Nasa mostra, em laranja e vermelho, as áreas mais poluídas em 2014; em azul, aquelas com melhor ar

Imagens divulgadas pela Nasa revelam quais são os países mais poluídos do mundo – e quais partes do globo reduziram ou aumentaram suas emissões nos últimos dez anos.
Embora ainda estejam entre as áreas com o pior ar em todo o mundo, Estados Unidos, Europa Ocidental e Japão apresentaram melhora entre 2005 e 2014, de acordo com as imagens da agência espacial americana.
No continente europeu, a queda da poluição chegou a até 50%, como resultado da maior restrição sobre os poluentes, mesmo em meio ao escândalo de fraudes no controle de emissões de veículos que abateu a Volkswagen, gigante do setor automotivo.
No Brasil, os mapas mostram que o quadro geral se manteve similar, ainda longe dos altíssimos lançamentos de gases ocorridos nas regiões mais desenvolvidas do mundo – porém, centros tradicionalmente mais poluídos, como a Grande São Paulo, continuam com altos e preocupantes índices, semelhantes às de outras metrópoles globais.
No mapa acima, de 2005, "área vermelha" era maior nos Estados Unidos e na Europa, mas menor no norte da China
Desde 2004, a Nasa monitora as emissões em todo o planeta por meio de um instrumento instalado em seu satélite Aura. Entre elas, as de dióxido de nitrogênio, resultado da queima de combustíveis fósseis, principalmente por carros, pela produção de energia e pela atividade industrial.
O gás se transforma no “mau” ozônio ao reagir com compostos orgânicos voláteis, quando exposto à irradiação solar. O resultado dessa mutação é o poluente respiratório mais presente no ar que respiramos – por isso, o dióxido de nitrogênio é usado, em geral, como indicador da qualidade do ar em geral, principalmente nas cidades grandes de países desenvolvidos ou em desenvolvimento.
“Ao monitorar do espaço as emissões de dióxido de nitrogênio, conseguimos ver os efeitos de fatores como a energia, políticas ambientais e até conflitos civis a qualidade do ar ao redor do globo”, afirmou, em comunicado divulgado pela Nasa, o cientista Bryan Duncan, que lidera o estudo no centro de voo espacial Goddard.
Mudanças na Europa entre 2005 e 2014; quanto mais forte é o azul, maior foi a queda nas emissões
Onde a poluição cresceu
Em países como China, Índia e parte do Oriente Médio, principalmente na região do Golfo Pérsico, locais cujas economias e atividade industrial estão em expansão, a poluição aumentou.
As imagens da Nasa, porém, mostram um movimento interessante no norte chinês, onde estão as cidades mais industrializadas e a produção de energia se torna cada vez mais intensa. Enquanto a área, em geral, apresentou um aumento considerável da emissão do gás, Pequim, a capital do país, registrou uma considerável redução.
Segundo Duncan, isso é resultado de uma maior pressão da crescente classe média de Pequim por um ar melhor – a metrópole é historicamente considerada uma das cidades mais poluídas do mundo, e imagens constantemente a mostram coberta sob uma nuvem de poeira e com parte de seus habitantes usando máscaras nas ruas.
Mapa mostra que emissões caíram entre 2005 e 2014 na Síria em guerra (área com manchas em azul) e avançaram no Iraque, que produz muito petróleo (onde há mais marcas vermelhas, à direita)
Os mapas da agência espacial americana mostram também os efeitos da movimentação demográfica, como a ocorrida por causa da guerra civil na Síria: enquanto os índices de dióxido de carbono caíram consideravelmente no país, principalmente em cidades maiores como a capital Damasco e Aleppo, as emissões cresceram nos países da vizinhança que mais receberam refugiados sírios.
Nos Estados Unidos, embora as emissões tenham sido reduzidas em geral, elas avançaram até 30% em algumas áreas de Estados como o Texas e a Carolina do Norte, onde há intensa produção de petróleo e gás natural.
 Áreas "vermelhas", mais poluídas, diminuíram nos EUA entre 2005 (acima) e 2014 (abaixo)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

POR QUE VOCÊ AINDA VAI TOMAR ÁGUA DO “VASO SANITÁRIO”



Ideia é ir além da água da privada e renovar toda a água que escorre pelos ralos
O nome assusta e é pouco fiel à realidade de uma iniciativa que já está sendo adotada em algumas partes do mundo. O "toilet-to-tap" (ou "da privada para a torneira", em tradução literal) é uma técnica que reutiliza, para o consumo interno e externo, toda a água que escorre pelos ralos (inclusive a da descarga das privadas).
Se a ideia parece, literalmente, dura de engolir, é bom saber que técnica envolve a filtragem e o tratamento da água "suja", deixando-a tão pura como a água de uma nascente – talvez ainda mais. Alguns bons exemplos disso vêm da Austrália.
A água residual reciclada é segura para o consumo e tem o mesmo gosto que qualquer outra água potável. "Na realidade, podemos dizer que esse tipo de água é até relativamente doce", afirma Anas Ghadouani, engenheiro ambiental na Universidade Western Austrália.
Estimuladas por problemas causados pelo aumento populacional e por secas intensas semelhantes às enfrentadas pelo Brasil recentemente, muitas cidades do mundo já estão incorporando água residual reciclada no abastecimento para o consumo.
Reciclar não é apenas uma necessidade – um futuro sustentável no gerenciamento da água vai exigir projetos como esses. "Não há dúvidas de que isso vai acontecer", opina Ghadouani.
Recurso abundante
Cientistas acreditam que reciclagem de águas residuais pode diminuir consumo de fontes tradicionais - Foto Luke Peterson
Águas residuais são muito mais do que a água da privada. Pense em toda a água que escoa pelo ralo toda vez que você lava uma fruta ou o seu carro. Trata-se de um recurso abundante e pouquíssimo explorado.
"É uma fonte de água garantida e mais barata", afirma Peter Scales, engenheiro químico da Universidade de Melbourne, na Austrália. Segundo ele, se uma cidade de porte médio reciclasse todas as suas águas residuais, seu consumo de fontes tradicionais cairia em 60%.
O uso das águas residuais para irrigação e outros fins não alimentares já é comum. Sua tecnologia é a mesma usada para tratar o suprimento de água potável que tenha sido contaminado.
Ela consiste em, primeiramente, filtrar todos os depósitos sólidos contidos na água. Depois, em um processo chamado de osmose inversa, faz-se a filtragem das partículas menores. Em seguida, como medida extra de precaução, a água é exposta rapidamente a radiação ultravioleta, para exterminar possíveis micróbios.
"Somos capazes de oferecer água muito pura – mais pura do que a água que atualmente é retirada de rios e reservatórios", diz Scales.
Fator “nojo”
Inevitavelmente, o fator "nojo" também tem seu papel. Recentemente, o psicólogo Paul Rozin, da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, realizou uma pesquisa com 2 mil pessoas e descobriu que, apesar de 49% se dizerem dispostas a experimentar a água residual reciclada, 13% se recusaram, enquanto o resto se mostrou indeciso.
Para algumas pessoas, nem mesmo as circunstâncias mais dramáticas conseguem fazê-las mudar de ideia. Em 2006, por exemplo, a cidade de Toowoomba, no leste da Austrália, tentou implementar a reciclagem de águas residuais após anos de seca. Mas os planos foram literalmente por água abaixo, com 62% da população tendo votado contra o projeto em um referendo. "A reciclagem de água é algo com enorme força, mas politicamente é um problema", afirma Scales.
A dessalinização da água do mar é outro recurso para driblar secas
Hoje, empresas como a Water Corporation, que administra o fornecimento de água em Perth e todo o oeste da Austrália, têm integrado água reciclada a sua própria rede de abastecimento.
O oeste da Austrália já é um dos locais mais secos da Terra, sofrendo com a falta de água há mais de 15 anos. As mudanças climáticas só tendem a piorar a situação. Para aliviar, a Water Corporation recorreu à dessalinização em 2006, usando usinas de tratamento para transformar água do mar em água doce.
O processo é caro, mas eficiente. Hoje, ele responde por 39% do fornecimento de água da região. As águas subterrâneas representam 43% do suprimento, enquanto o resto vem de reservatórios. Mas com a seca persistente, a água residual reciclada pode oferecer mais segurança a um custo mais baixo.
A empresa adotou um modelo semelhante ao que foi visto no Orange County, na Califórnia: bombear as águas residuais para aquíferos a fim de reabastecer o suprimento de águas subterrâneas. Os aquíferos servem como "armazenamento" gratuito e agem como uma espécie de fator psicológico que ajuda a minimizar o "nojo".
Os planos da Water Corporation são de aumentar o uso dessa água reciclada até que ela responda por 20% do abastecimento da cidade de Perth.
Riquezas da chuva
A combinação de reciclagem, dessalinização e preservação ambiental está ajudando Perth a se tornar resistente a secas. "Nós nos tornamos um exemplo internacional no que se refere à maneira como respondemos às mudanças climáticas", afirma Clare Lugar, porta-voz da Water Corporation.
Essa abordagem interdisciplinar é fundamental. Segundo Scales, outra fonte de água ainda subaproveitada são as chuvas. "Se conseguirmos reciclar as águas residuais e coletarmos toda a água da chuva que cai pelas calhas, seria possível abastecer uma cidade inteira", diz.
Mas convencer a população e construir toda a infraestrutura necessária para aproveitar a água das chuvas levaria anos ou até décadas.
Lugares como Cingapura, Bélgica, a cidade de Windhoek, na Namíbia, e Wichita Falls, no Texas, já começaram reciclar águas residuais.
Na maioria das grandes metrópoles mundiais, como as da Ásia ou da América do Sul, a falta de água potável pode levar a doenças - no Brasil, por exemplo, é comum haver focos de dengue em locais de seca.
"O suprimento de água nesses locais é contaminado por águas residuais", afirma Scales. "Mas o tratamento dessa água contaminada é semelhante ao que é feito na reciclagem."
Por isso, não importa o nome dado à iniciativa – purificação, reciclagem ou "toilet-to-tap". Todos estão por trás da mesma ideia: oferecer água limpa a todos.

sábado, 16 de janeiro de 2016

CIENTISTAS DIZEM TER ENCONTRADO ABISMO GIGANTESCO ESCONDIDO SOB O GELO DA ANTÁRTIDA



 Mapa, em inglês, mostra área onde ficaria cânion oculto na Antártida
Um vasto e desconhecido sistema de cânions pode estar escondido embaixo das geleiras da Antártida.
Sinais de sua presença foram encontrados nas formações da superfície do continente gelado, em uma região inexplorada chamada Terra da Princesa Elizabeth.
Se confirmada, em uma pesquisa geofísica formal que está em andamento, a rede sinuosa de cânions teria cerca de mil quilômetros de comprimento e, em alguns trechos, até 1 km de profundidade.
Essas dimensões fariam da formação algo maior que o famoso Grand Canyon, nos Estados Unidos.
"Sabemos, com base em outras áreas da Antártida, que as formas que o gelo assume na superfície são obviamente dependentes do que existe abaixo dele. Isso porque o gelo flui a partir dessas formações", explicou o pesquisador Stewart Jamieson, da Universidade de Durham, no Reino Unido.
"Quando olhamos para a Terra da Princesa Elizabeth a partir de dados de satélite, há aparentemente algumas características na superfície gelada que, para nós, lembram muito a existência de um cânion", continua o especialista.
"Nós rastreamos formações rochosas do centro da Terra da Princesa Elizabeth até a costa, no sentido norte. Trata-se de um sistema bastante substancial", afirmou ele à BBC.
Há ainda suspeitas de que a rede de cânions seja conectada a um lago subglacial, também desconhecido, que cobriria uma área de até 1,25 mil quilômetros quadrados.
A Terra da Princesa Elizabeth (Princess Elizabeth Land, no mapa em inglês) é uma das áreas menos exploradas da Antártida, e novo foco dos times internacionais de cientistas
A interpretação inicial que aponta a existência do sistema de cânions é baseada em informações de radar, colhidas em dois locais.
Esses radares conseguem ver através das camadas de gelo, chegando à cama de rochas abaixo delas.
A suspeita é consistente, afirma o professor do Imperial College London (Reino Unido), um dos integrantes da equipe.
"Descobrir um novo abismo gigantesco, que supera o Grand Canyon, é uma perspectiva tentadora", afirmou.
"Geocientistas na Antártida estão fazendo experimentos para confirmar o que nós estamos vendo nos dados iniciais, e esperamos anunciar nossas descobertas em um encontro do ICECAP2 (grupo de colaboração internacional que explora a área centro-leste da Antártida) no fim de 2016."
Pesquisas
A maior parte da Antártida é alvo de pesquisas geofísicas que têm registrado a topografia do continente.
Mas ainda há duas áreas ainda muito desconhecidas: a Terra da Princesa Elizabeth, onde se encontraria o cânion, e a Recovery Basin ("Bacia de recuperação", em tradução literal).
Aeronaves com sensores sobrevoam a Antártida para mapear topografia local (Foto: ICECAP2)
Ambas ficam no leste da Antártida e são agora alvo de intenso estudo.
Equipes internacionais – compostos por cientistas de Estados Unidos, Reino Unido, Austrália, China e outros países – estão usando aeronaves com sensores para sobrevoar centenas de quilômetros quadrados da superfície gelada.
Quando o rastreamento estiver completo, os pesquisadores terão uma visão abrangente de como a paisagem da Antártida realmente é debaixo de todo o gelo.
Esse conhecimento é fundamental para tentar entender como o continente gelado pode reagir em um mundo mais quente, por exemplo.
Fonte: Jonathan Amos BBC News