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sexta-feira, 8 de abril de 2016

METADE DO PATRIMÔNIO NATURAL DA UNESCO ESTÁ AMEAÇADA



Sítios excepcionais, que integram a lista de Patrimônio Mundial declarada pela Unesco, estão ameaçados pelas atividades econômicas, alerta a ONG World Wildlife Fund (WWF) em um relatório publicado nesta quarta-feira.
No documento intitulado "Proteção dos homens preservando a natureza" são citadas áreas como as florestas úmidas de Madagascar, o Parque Nacional na Espanha, a reserva animal na Tanzânia e os recifes da América Central.
"Entre os 229 sítios inscritos no Patrimônio Mundial, 114 estão afetados por atividades industriais nefastas", adverte o estudo.
"Segundo a Unesco, estes sítios encarnam a noção de área protegida por excelência", recorda a WWF, que se baseia em um censo realizado pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
No entanto, a classificação de da Unesco não é necessariamente sinônimo de proteção exemplar, demonstra o informe.
"Entre outras ativistas nefastas, geralmente obra de multinacionais e suas filiais, se pode citar a prospecção e extração de petróleo e gás, a exploração florestal ilegal, a criação de grandes infraestruturas, a pesca abusiva e a superexploração de recursos aquíferos", resume a ONG.
Não existe nenhum continente ao amparo dos problemas assinalados pela WWF, que pede a governos e empresas que ajam a favor de um futuro sustentável para os citados sítios.
Flamingos rosas no parque nacional de Doñana, na Espanha, em 15 de junho de 2009
A Unesco, que aceitou declarar estes locais como parte do Patrimônio Mundial a pedido dos Estados, não tem poder para obrigar os governos a protegê-los.
Como último recurso, o organismo da ONU pode retirá-los da lista, como já aconteceu com Omã, no caso o santuário do oryx árabe, um tipo de antílope, ameaçado pela caça clandestina.
O relatório destaca, além disso, que atentar contra um patrimônio dotado de um valor universal excepcional coloca em questão a capacidade destas áreas de proporcionar benefícios econômicos, sociais e ambientais para 11 milhões de pessoas que dependem deles.
Cerca de um milhão de pessoas vive nos 119 sítios declarados pela Unesco e que estão ameaçados; outros dez milhões habitam seus arredores.
As florestas tropicais da ilha de Sumatra, na Indonésia, por exemplo, causam muita preocupação porque o sítio compreende três parques nacionais com importantes aquíferos que abastecem milhões de pessoas. No entanto, estão ameaças pelas concessões estatais de exploração (minas, petróleo, gás).
Da mesma forma, na Espanha, o Parque Nacional de Doñana, que recebe anualmente milhões de aves migratórias, foi vítima em 1998 de uma vasta contaminação provocada por dejetos de mineração (lama tóxica e água ácida). Em 2015, o governo espanhol concedeu novamente direitos de extração para uma empresa mexicana (Grupo México).
Entre os sítios marinhos, os recifes de Belize na América Central compreendem sete áreas protegidas e integradas à maior barreira de coral do continente americano, que em 2009 foi declarada em perigo.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

CIENTISTAS ESCAVAM CRATERA FORMADA POR ASTEROIDE QUE “DIZIMOU DINOSSAUROS”



Simulação mostra impacto de meteoro responsável pela extinção da vida na Terra há 66 milhões de anos
Uma expedição deu a largada para explorar uma cratera no Golfo do México que traz pistas sobre o fenômeno que dizimou os dinossauros.
Com 100 km de comprimento e 30 km de largura, a cratera de Chicxulub se formou há 66 milhões de anos, pela ação de um asteroide.
Hoje, as principais partes dessa enorme cicatriz na superfície da Terra estão enterradas no fundo do mar, sob uma camada de 600 metros de sedimentos oceânicos.
Os cientistas acreditam que acessar as rochas por meio de perfurações pode revelar mais informações sobre a escala do impacto e a catástrofe ambiental que se seguiu.
O alvo preferencial do estudo são os chamados "anéis de pico", formações típicas de grandes crateras de impacto, criadas pela elevação do solo após as colisões.
No modelo que exacerba as anomalias da gravidade no Golfo do México, a seta branca indica a área da cratera de Chicxulub - Imagem D Sandwell
A Chicxulub é a única estrutura com anéis de pico intactos no planeta. As outras estão localizadas em outros planetas ou se erodiram.
Sondagens da área abaixo do leito do oceano mostram que o anel lembra uma cadeia de montanhas em forma de arco.
Em busca de pistas
"Queremos saber a origem das rochas que formaram esse anel de pico", diz Joanna Morgan, do Imperial College de Londres, uma das coordenadoras do estudo.
"Saber isso ajudará a entender como grandes crateras são formadas, e como é importante poder estimar o total de energia no impacto, e o volume total de rochas que foi escavado e lançado na estratosfera para causar o dano ambiental."
O cataclisma registrado ao final do período Cretáceo dizimou muitas espécies, não apenas os dinossauros. Todo o material lançado na atmosfera teria escurecido o céu e congelado o planeta por meses.
O círculo externo (linha em branco na imagem) da cratera fica sob a península de Yucatán, mas o anel de pico interno (ponto vermelho) pode ser acessado pelo mar - Imagem NASA
Mas mesmo tendo acabado com boa parte da vida no planeta, o episódio abriu oportunidades para as espécies que sobreviveram. Os pesquisadores querem saber se a região do impacto se tornou uma espécie de berço de vida.
Como o asteroide atingiu uma área que era um mar raso, é provável que a cratera criada tenha rapidamente se enchido de água.
Essa água pode ter se infiltrado pelas rochas quentes e fraturadas, liberando compostos químicos que poderiam ter sustentado microorganismos. Condições semelhantes são observadas hoje ao longo da fossa que atravessa o centro do oceano Atlântico.
"Então é possível que encontremos alguma forma exótica de vida nas rochas que iremos perfurar", afirma Morgan. "É algo muito interessante para o estudo da Chicxulub, mas também dos primórdios da terra e até de Marte. Em tempos remotos, a Terra pode ter tido muitos mais impactos dessa escala. E pensamos que a vida pode muito bem ter se originado nessas crateras de impacto."
Perfurações
A equipe está usando um "bote salva-vidas" chamado Myrtle como plataforma de perfuração.
Embora o equipamento comporte laboratórios para realizar análises iniciais, o estudo principal deverá ser feito após envio de amostras para um centro de pesquisa na Alemanha.
O equipamento irá se posicionar perto da costa na península de Yucatán, apoiando-se em seus três eixos para formar um ponto estável.
Para atingir as rochas do anel de pico, a sonda precisará atravessar espessas camadas de sedimentos de calcário no leito do Golfo do México.
A Myrtle é a embarcação que servirá como plataforma de perfuração para o projeto 
Imagem D Smith Ecord IODP
"Há menos interesse nos primeiros 650 metros antes da fronteira K-Pg (sigla em inglês para Cretáceo-Paleoceno), que são carbonatos", afirma Dave Smith, do órgão britânico de pesquisa geológica.
"Abriremos o buraco até 500 metros, para depois preparar um tubo e iniciar a retirada. E vamos perfurar até a meta de profundidade, que é 1.500 metros."
Algumas das primeiras amostras retiradas na região sugerem que a vida voltou rapidamente à região do impacto. Organismos marinhos teriam se restabelecido nesse área estéril ao longo de milhares de anos.
Tubulações profundas poderão fazer contato com os depósitos de sedimentos gerados pelo tsunami que veio com o impacto do asteroide.
As rochas do anel de pico estão a uma profundidade mínima de 800 metros.
Metas
O time de pesquisadores fixou um prazo de dois meses para concluir os trabalhos.
"Desenvolvemos uma estratégia de perfuração que nos dá múltiplas chances de chegar a 1.500 metros, mas podemos fixar presos em qualquer fase, por diferentes motivos", afirma Smith, que coordena as operações na empreitada.
"Estamos a 30 km da costa, que nos permite reabastecer com facilidade. Também agendamos o projeto para ocorrer antes da temporada de furacões na região. Então estamos começando agora e esperamos terminar antes de junho."
Equipe planeja terminar projeto antes da temporada de furacões na região
A equipe conta com pesquisadores dos Estados Unidos, México, Japão, Austrália, Canadá e China, além do Reino Unido e outros cinco países europeus.
O projeto é conduzido pelo Consórcio Europeu para Pesquisa em Perfuração Oceânica (Ecord, na sigla em inglês).
Fonte: Ciência da BBC News