Esta foto foi escolhida pela BBC 28 de setembro, 2012 como uma das 20 mais bonitas

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sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

NÍVEL DO MAR SUBIU SETE CENTÍMETROS NOS ÚLTIMOS 20 ANOS



Cientista afirma que novos dados são os mais confiáveis conseguidos até agora
Contribuição da fusão do gelo da Groenlândia e Antártida para o aumento do nível do mar é de 0,59 milímetros por ano
Nos últimos anos, a comunidade científica publicou pelo menos 29 estimativas diferentes sobre a quantidade de camadas de gelo que tem contribuído para a subida do nível do mar. Os resultados oscilavam entre 1,9 e os 0,2 milímetros anuais.
A nova estimativa, realizada por alguns dos mais prestigiados cientistas do clima e recentemente publicada na «Science», situa a contribuição da fusão do gelo da Groenlândia e Antártida em 0,59 milímetros por ano, em média, desde 1992.
O estudo refere que os níveis globais do mar subiram 3,3 milímetros por ano durante esse período de tempo, o que faz com que o aumento seja de aproximadamente sete centímetros nas duas últimas décadas.
Andrew Shepherd, investigador da Universidade de Leeds (Reino Unido) e autor principal do estudo, referiu em videoconferência com jornalistas que estas estimativas de perda de gelo nas camadas continentais “são as mais confiáveis realizadas até agora”.
O investigador acrescenta que o estudo “acaba com 20 anos de incertezas acerca das alterações nas massas de gelo da Groenlândia e Antártida”. Este registo pretende, também, servir de base de referência para estudos futuros.
A investigação examina os três métodos que se utilizaram para medir o degelo por distintos grupos e estabelece critérios comuns que permitem aos cientistas descartar algumas observações atípicas e demonstrar que os resultados obtidos são corretos.

2012 FOI UM DOS DEZ ANOS MAIS QUENTES DESDE 1880, SEGUNDO A NASA

O ano de 2012 foi um dos dez mais quentes desde 1880, seguindo a continuada subida de temperaturas globais, segundo uma revisão anual das temperaturas médias da Terra feita pelo Instituto Goddard de Estudos Espaciais, da NASA e da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA). O ano de 1998 foi considerado o nono mais quente em 132 anos.
O instituto, sediado em Nova Iorque, comparou a média da temperatura global desde meados do século XX. A comparação mostra que a Terra continua a sofrer temperaturas mais quentes do que há várias décadas. No entanto, há uma discrepância face à NOAA, já que a NASA apontou 2012 como o nono mais quente desde o início dos registros, em 1880, enquanto a NOAA avaliou-o com o décimo mais quente.
2012 foi o 36º ano consecutivo com temperaturas superiores à média
A temperatura da superfície global em 2012, incluindo terra e água, foi 0,56 graus centígrados superior à média registrada entre 1951 e 1980 – o que foi suficiente para causar um aumento nas máximas extremas.
O ano passado foi também o 36º ano consecutivo com temperaturas superiores à média do século XX na Terra, segundo os investigadores da NASA e da NOAA.
“Mais um ano em números, em si, não significa muito”, referiu o climatologista Gavin Schmidt, do Instituto Goddard, segundo se lê na página da NASA. Tendo em conta que o termómetro global tem estado mais ou menos estabilizado nos últimos dez anos, mas e “esta década é mais quente do que a anterior, e aquela foi mais quente do que a precedente. O planeta está a aquecer porque estamos a enviar quantidades crescentes de dióxido carbono (CO2) para a atmosfera”, continuou.
A NOAA sublinha no seu relatório que muitas regiões do mundo ficaram mais quentes do que a média em 2012, o que inclui a maior parte das Américas, da Europa, da África e da Ásia.
O estudo das duas agências pode ser visto aqui.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

CRÂNIOS DEFORMADOS SÃO ACHADOS EM CEMITÉRIO ANTIGO NO MÉXICO

Segundo especialista, os povos mesoamericanos costumavam deformar o crânio de determinados grupos em sua civilização para diferenciá-los na sociedade.
No norte do México, um cemitério com cerca de mil anos de idade foi descoberto por arqueólogos próximo ao povoado de Onavas. As informações divulgadas pelo Instituto Nacional de Antropologia e História do país constam que no local foram enterradas 25 pessoas, sendo que 13 delas possuem deformações cranianas curiosas.
Segundo análises, também foi descoberto que cinco corpos possuem mutilações dentárias e que somente um esqueleto do cemitério era de uma mulher.
De acordo com uma das responsáveis pela exploração da área, Cristina Garcia, da Universidade Estadual do Arizona, nos EUA, afirmou que os povos mesoamericanos costumavam deformar o crânio de determinados grupos em sua civilização para diferenciá-los na sociedade.
Os povos mesoamericanos costumavam deformar o crânio de determinados grupos em sua civilização para diferenciá-los na sociedade.
Os arqueólogos puderam observar que o sítio onde o cemitério foi achado possui características únicas, pois misturam elementos de diferentes culturas do norte do país.
Entre os 25 corpos encontrados, oito eram de adultos enquanto 17 eram de menores em uma faixa etária que varia entre cinco meses de idade e 16 anos. A quantidade significativa de crianças nos túmulos pode de indicar que suas mortes podem ter sido provocadas justamente pela prática de deformação craniana.
“Isso pode ser confirmado pelas evidências encontradas no cemitério de Sonora, em que os cinco corpos com mutilação dentária eram de pessoas com mais de 12 anos”, completa. De todos os esqueletos, apenas oito pertenciam a adultos: os demais eram de crianças a partir de 5 meses até adolescentes de 16 anos – e o fato de não terem sido detectadas doenças aparentes sugere que vários morreram justamente por causa de uma prática de deformação craniana feita de modo descuidado.
 “Deformação craniana em culturas mesoamericanas era usada para diferenciar um grupo social, e para propósitos de rituais, enquanto a mutilação dentária em culturas como a de Nayarit era vista como um rito de passagem para a adolescência”, explica a arqueóloga Cristina Garcia Moreno, diretora do projeto que encontrou o cemitério.
Embora os acessórios e as deformações tivessem um caráter de distinção, “nesse caso você não consegue reconhecer qualquer diferença social, pois os enterros parecem ter as mesmas características”, explica a arqueóloga. “Também não conseguimos determinar por que alguns usavam ornamentos e outros não, ou por que, entre os 25 esqueletos, apenas um era de mulher”. Assim, os restos, que datam do ano 943, ainda guardam muitos mistérios.[PastHorizons] [io9]

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

RAMSÉS III TEVE GARGANTA CORTADA - PASSADOS 32 SÉCULOS, O MISTÉRIO É SOLUCIONADO

Os ingredientes são dignos de um best-seller: o domínio de um império ultramarino, uma conspiração no harém, a traição da famíla e, por fim, um rei morto, levado para a tumba com um segredo que permanece guardado por 3 mil anos. O último capítulo não poderia ser mais incrível: passados 32 séculos, o mistério é solucionado – um ferimento no pescoço e um amuleto encontrado dentro da múmia revelam que o último grande faraó do Egito foi assassinado em um complô pelo trono. Essa, porém, é uma história verdadeira, cujo epílogo foi publicado ontem na revista científica British Medical Journal.
Historiadores, paleoantropólogos, geneticistas, radiologistas e especialistas em múmias aliaram documentos antigos à tecnologia moderna para descobrir a causa da morte de Ramsés III, cujo reinado, de 1187 a.C. a 1155 a.C., foi o derradeiro antes que o país perdesse sua supremacia. Os pesquisadores esperam encerrar um amplo debate entre egiptólogos que, até hoje, não sabem se o faraó teria sido assassinado ou morrido naturalmente. Uma forte pista aponta para a primeira opção: o Papiro Judicial de Turim, escritura oficial da época, revela o desmonte de uma conspiração contra o governante. O texto não deixa claro, contudo, se os rebelados conseguiram matar o rei ou se ele ainda estava vivo quando os envolvidos no complô foram julgados.
A múmia de Ramsés III e a imagem de tomografia computadorizada que permitiu a identificação do corte feito em sua garganta enquanto ainda estava vivo: vítima de uma trama para tomar o poder no antigo Egito.
Imagens
Um exame de tomografia computadorizada realizado na múmia de Ramsés III, que fica no Museu do Cairo, reforça a ideia do assassinato. As imagens identificaram um corte no pescoço do faraó, feito enquanto ele ainda estava vivo. “O ferimento só pode ser visto através da tomografia”, diz Zahi Hawass, ex-ministro de Antiguidades do Egito e um dos autores do estudo. Hawass, egiptólogo que usou a mesma técnica para estudar a causa da morte de outro faraó, o jovem Tutancâmon, conta em um comunicado à imprensa que o corte estava escondido pelas bandagens da múmia. “Estava claro que Ramsés (III) morreu em 1155 a.C., por volta dos 65 anos, mas só agora sabemos como”, afirma.
O Papiro da Justiça de Turim, guardado pelo Museu Egípcio da cidade italiana, é o único da história antiga egípcia que relata um julgamento criminal. Outros dois papiros sobre o complô, o de Lee e o de Rollin, ajudam a recontar a trama, que inclui entre os principais protagonistas a segunda esposa de Ramsés III e seu filho Pentwere, que ela teve com o rei. Tiye, único nome pelo qual a mulher é conhecida, contou com a ajuda de outras pessoas, incluindo o chefe de seus aposentos, um copeiro, um general, um sacerdote e um feiticeiro. Todos foram julgados e, provavelmente, condenados à morte. Um dos trechos do Papiro da Justiça lembra que os sentenciados “tiraram suas próprias vidas”, ao se envolverem na conspiração.
Perdida por muito tempo, a múmia de Ramsés foi finalmente encontrada no final do século XIX, mas uma radiografia realizada nos anos 60 não revelou qualquer traumatismo no faraó. Mas o especialista em múmias alemão Albert Zink, célebre por revelar os segredos de Ötzi, o caçador primitivo descoberto em 1991 nos Alpes, se debruçou sobre o mistério do destino de Ramsés III.
Com a ajuda de especialistas, incluindo Zahi Hawass, antigo responsável do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, Zink examinou a múmia de Ramsés III com imagens em 3D (três dimensões) e tomografia computadorizada, e descobriu um ferimento grave na garganta do faraó, exatamente sob a laringe, que havia passado desapercebido.
"O corte tem cerca de 70 mm (...) e foi feito com uma faca ou uma lâmina similar", destaca o trabalho, que será publicado nesta terça-feira no British Medical Journal. "Sua extensão e profundidade indicam que o corte provocou a morte imediata de Ramsès III", destacam os pesquisadores.
Imagem Axial da Tomografia Computadorizada na secção do pescoço de Ramsés III. Ferida nas margens = estrelas. Seta = material de embalsamamento homogêneo infiltrando ferida e osso
A tomografia revelou ainda um corpo estranho junto ao ferimento: um amuleto de pedra, O Olho de Horus, que os egípcios utilizavam em rituais de cura. "A garganta cortada e o amuleto provam claramente que o faraó foi assassinado", conclui Albert Zink.
Sucessão
Foi no Palácio Real das Mulheres, onde o faraó mantinha suas duas esposas e seu harém, que Tiye começou a tecer as intrigas que, de acordo com o estudo publicado ontem, culminaram no assassinato de Ramsés III. Tiye tinha motivos para querer matar o marido. Ela não era a primeira esposa, posto ocupado por Iset Ta-Hemdjert, cujo filho era mais velho que Pentwere. O faraó cometeu um erro grave: depois da morte do primogênito e da criança que nasceu em seguida, ele não coroou os demais filhos como príncipes. Também jamais nomeou Iset nem Tiye como Grande Esposa Real. Ramsés III, portanto, deixou brechas na sucessão, pois não havia um nome oficial para ocupar o trono depois de sua morte, cada vez mais iminente. Na Antiguidade, quando a expectativa de vida média não chegava aos 30 anos, uma pessoa com 65 era considerada muito velha.
Apesar da falta de um nome oficial, naturalmente, por ser mais velho, acreditava-se que o filho de Ramsés III com Iset deveria reinar sobre o Egito. De fato, depois da morte do pai, ele foi nomeado Ramsés IV. Era isso que Tiye queria evitar quando armou o complô contra o marido. Seus planos incluíam depor o faraó e, com a ajuda dos outros conspiradores, afastar Iset e coroar Pentwere. O rei pode ter morrido, mas a rebelião não deu completamente certo, pois foi descoberta pelos oficiais de Ramsés III.
A grande dúvida que surgiu sobre o paradeiro do faraó é que alguns trechos do papiro sugerem que ele conduziu pessoalmente o julgamento. “Os textos implicam que a corte recebeu instruções diretas do rei, que, portanto, teria sobrevivido ao ataque”, diz o artigo publicado no British Medical Journal. Ao mesmo tempo, algumas partes do documento se referem a Ramsés III como “o grande deus”, significando que ele havia morrido antes ou durante as deliberações. “A única linha interpretada especificamente pelos egiptólogos como uma possível metáfora para assassinato é ‘derrubada da árvore real’. Dada a natureza inconclusiva das evidências textuais e a falta de qualquer causa óbvia da morte detectada por estudos forenses prévios, acadêmicos têm listado uma variedade de possibilidades: o rei foi ferido e morreu em decorrência, o complô foi completamente derrotado ou a tentativa (de assassinato) foi bem-sucedida”, contam os autores do estudo.
Punições
De acordo com Albert Zink, paleoantropólogo do Instituto de Múmias da Academia Europeia de Bolzano e principal autor do artigo, a tomografia computadorizada não deixa mais dúvidas de que Ramsés III foi assassinado, ainda que ele não tenha morrido na hora. “Ele foi morto por um corte profundo na garganta. Finalmente, foi solucionado o grande mistério do Egito antigo, pois agora sabemos o que realmente ocorreu na Conspiração do Harém”, garante. Zink apresenta outra evidência do crime: “As imagens mostraram também um pequeno amuleto inserido no ferimento. Viemos a saber que se tratava do olho de Hórus, que estava associado à saúde, e deveria curar o faraó na outra vida”, diz. O objeto foi colocado no corpo de Ramsés III durante os rituais de mumificação. “O Papiro de Turim indica que o complô falhou e que todos foram condenados, mas não estava escrito o que havia ocorrido com o próprio Ramsés III. Graças ao nosso estudo, agora sabemos com certeza.”
Os cientistas investigaram também uma múmia encontrada no século 19 no famoso complexo mortuário de Deir el-Bahri, que abriga o templo fúnebre de Ramsés III. Trata-se de um indivíduo sem identificação, o “homem E”. Quando desenrolada, a múmia revelou-se a mais tenebrosa já descoberta no Egito. Em primeiro lugar, o suave cheiro da cera usada no embalsamamento deu lugar a um odor putrefato, segundo testemunhas à época. Isso porque, em vez de perfumes e cremes, o indivíduo foi coberto com pele de bode, indicando uma grave punição.
O pior, contudo, é a expressão facial do homem de 18 a 20 anos, que está aterrorizado e parece ter forte dor. O tórax inflado e as marcas em volta de seu pescoço sugerem que ele foi estrangulado, embora há quem diga que a vítima tenha sido enterrada viva. Os autores do artigo disseram que não podem afirmar exatamente como ele morreu, mas têm quase certeza de que o “homem E” é Pentwere, o filho conspirador do faraó. Uma análise de DNA mostrou que a múmia compartilhava muitos traços genéticos com Ramsés III. Como o corpo de Tiye jamais foi encontrado – sinal de que a mulher foi punida e não mereceu funeral real –, não se pode definir exatamente a ascendência do “homem E”. Os cientistas, contudo, acreditam que ele é um “forte candidato” a filho de Ramsés III.
Crise
Ramsés III governou o Egito na 20ª Dinastia do Novo Reino (a dinastia durou um período que se estendeu de 1185 a.C. a 1070 a.C.). Depois de sua morte, o país começou a sofrer problemas econômicos e disputas internas, abrindo caminho para que outros povos, como assírios, persas, gregos e, por fim, romanos, assumissem a liderança mundial.