Esta foto foi escolhida pela BBC 28 de setembro, 2012 como uma das 20 mais bonitas

Sejamos proativos nas questões relacionadas às mudanças climáticas, pois não seremos poupados de seus efeitos devastadores a curto e longo prazo.
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segunda-feira, 19 de maio de 2014

ENCONTRADO “ELO PERDIDO” QUE PODE SOLUCIONAR O ENIGMA DOS PRIMEIROS HABITANTES DAS AMÉRICAS


Um esqueleto datando de mais de 12.000 anos atrás está ajudando a resolver um mistério: o de como os primeiros seres humanos chegaram nas Américas e adquiriram a aparência que hoje têm.

Os antropólogos se intrigavam com a ideia dos nativos americanos não se parecerem muito com seus ancestrais, que migraram para as Américas durante o Pleistoceno, época que englobou a última idade do gelo e terminou cerca de 12.000 anos atrás.
Os crânios antigos são maiores, com rostos mais estreitos e mais “para frente”, e se parecem mais com os povos nativos da África, Austrália e sul da costa do Pacífico do que com seus supostos descendentes americanos.
Os pesquisadores não sabiam se essas diferenças eram o produto de mudanças evolutivas nas populações que chegaram aqui, ou se os paleoamericanos, os primeiros habitantes das Américas, foram substituídos por outra população com mais recursos e mais parecida com os nativos americanos posteriores.
Agora, uma equipe liderada pelo arqueólogo James Chatters relatou na revista Science a descoberta do mais antigo e completo esqueleto já encontrado nas Américas, com idade entre 12 e 13 mil anos. O esqueleto contém características craniofaciais de antigos paleoamericanos, bem como DNA mitocondrial possuído pelos modernos nativos americanos.
A descoberta
O esqueleto, apelidado de “Naia” (nome grego antigo relacionado com ninfas de água), pertencia a uma adolescente que caiu mais de 30 metros dentro de uma elaborada rede de cavernas cársticas que estavam em grande parte secas no final do Pleistoceno.
Os mergulhadores que encontraram Naia na caverna da península mexicana de Yucatán nomearam a sepultura de Hoyo Negro (“olho negro”, em espanhol).

O rosto de Naia é estreito com olhos bem-definidos, uma testa proeminente baixa, um nariz achatado e dentes que se projetam para fora – o oposto do que os nativos americanos se parecem hoje. Mas seu DNA conta outra história.
“Esta é a primeira vez que temos dados genéticos de um esqueleto que apresenta estas características faciais”, disse Deborah Bolnick, geneticista antropológica da Universidade do Texas em Austin (EUA) e uma das coautoras do estudo.
História (e por que o Brasil está nela)
Análises genéticas dos modernos nativos americanos indicam que eles descendem de uma população fundadora que se originou na Ásia. Eles foram isolados de outros grupos populacionais durante milhares de anos em algum lugar dentro ou perto da região conhecida como Beríngia, uma ampla faixa de terra que ia da Sibéria ao Alasca durante o último máximo glacial.
Foi lá que essa população fundadora da América desenvolveu seus marcadores genéticos únicos.
Essa teoria, chamada de teoria mongólica, dita, então, que o homem americano migrou para a América há cerca de 15.000 anos através do Estreito de Bering. Os primeiros povos que migraram para cá, por sua vez, originaram todos os povos americanos, incluindo os nativos índios do Brasil.
Alguns cientistas argumentam que o ameríndio possui origem múltipla, migrando não só através da Beríngia, como também das Ilhas do Pacífico, oriundos da Polinésia e Austrália. Já outros debatem essa ideia dizendo que o houve, na verdade, foram ondas sucessivas de imigrações.
Um trabalho científico de dois geneticistas brasileiros, Sérgio Danilo Pena e Fabrício Santos, publicado na revista Science em março de 1999, confirma o parentesco genético entre tribos de seis países americanos (Brasil, Peru, Argentina, Colômbia, México e Estados Unidos) e um pequeno povoado nas Montanhas Altai, localizado entre a Sibéria, Rússia e Mongólia. Este trabalho foi apresentado como prova irrefutável da origem asiática dos ameríndios, os quais penetraram o continente pelo Estreito de Bering.
Somos um só
A descoberta de Hoyo Negro segue o sequenciamento genômico recente dos restos de uma criança de 12.600 anos de idade encontrada em Montana (EUA), que também revelou uma ancestralidade comum com os nativos americanos.
Até as novas descobertas, no entanto, poucos dados genéticos de esqueletos paleoamericanos estavam disponíveis, deixando a sua relação com os nativos americanos mal compreendida.
Os dados genéticos da descoberta de Montana são superiores aos de Hoyo Negro porque são derivados do DNA mitocondrial e nuclear, fornecendo uma raiz muito mais abrangente do que apenas o DNA mitocondrial, que traça somente linhagens maternas. A desvantagem do espécime de Montana é que ele é muito menos completo: foram encontrados apenas quatro ossos e uma porção da caixa craniana.
“Agora temos dois espécimes a partir de um ancestral comum que veio da Ásia”, disse Michael Waters, da Universidades Texas A & M (EUA). “Eles são complementares e mostram que os paleoamericanos são geneticamente relacionados aos povos indígenas, de modo que eles não são uma população de substituição. Suas diferenças têm de ser resultado de uma mudança evolutiva. O que levou a essa mudança, nós não sabemos”.
Chatters especula que a morfologia dos antigos americanos pode ter mudado conforme suas condições de vida mudaram.
Logo que os caçadores-coletores altamente móveis tornaram-se mais estáveis, os processos evolutivos podem ter selecionado traços mais domésticos, resultando nas características arredondadas e suaves vistas nos rostos dos nativos americanos.
“Você começa a ver essas formas mais domésticas quando as mulheres têm mais controle sobre o fornecimento de alimentos, quando não são tão dependentes de homens agressivos”, diz Chatters.
Ele acrescentou que esse processo de retenção de alguns traços juvenis pode ser visto em populações em todo o Hemisfério Norte entre o final do Pleistoceno e os tempos modernos.
As evidências são fortes…
Em 2007, ao explorar e mapear o sistema de cavernas mexicanas Sac Actun, os mergulhadores descobriram um conjunto de ossos na parte inferior de uma câmara enorme. Os ossos incluíam os de felinos com dente de sabre extintos, preguiças gigantes e outros animais do Pleistoceno, bem como esqueleto de Naia.

A menina estava provavelmente em busca de água. “A água teria sido escassa naquele período. Não existem lagos e rios na região, assim as pessoas e os animais tinham que se aventurar em cavernas”, especula o arqueólogo Dominique Rissolo.
Naia foi encontrada com uma bacia quebrada, provavelmente a partir do impacto da queda. Ela também mostra sinais de cáries e osteoporose, talvez como resultado de engravidar em uma idade precoce, antes de atingir a maturidade física completa.
A submersão da caverna entre 10.000 e 4.000 anos atrás ajudou a preservar o esqueleto de Naia, e a falta de deposição de sedimentos deixaram seus ossos à vista clara para os mergulhadores. “Ela está muito mineralizada, o que é ótimo para obter medidas esqueléticas”, disse Rissolo. “Mas, para datar, é uma situação completamente diferente”.
Sem qualquer colágeno ósseo para datação por radiocarbono, a equipe triangulou a idade do esqueleto determinando a idade de cristais de calcita conhecidos como “florzinhas” crescendo sobre os ossos de Naia, e estudando fezes de morcego nas proximidades e o esmalte dos dentes da Naia.
Tudo isso, juntamente com os restos animais da era do Pleistoceno nas proximidades e as estimativas de quando a caverna teria inundado, levaram a equipe a concluir que ela tinha pelo menos 12.000 anos, talvez mais perto de 13.000.
…mas descarte a certeza
De acordo com David Meltzer da Universidade Southern Methodist, no Texas (EUA), variações físicas existem em qualquer população e a amostra que temos (apenas dois indivíduos, sendo que um não está completo) é muito pequena.
“Imagine analisar uma dúzia de crânios de Nova York, eles não seriam muito parecidos. Temos que ser muito cuidadosos ao tirar conclusões baseadas em amostras relativamente pequenas. Isso é verdade para a anatomia do esqueleto, e é verdade para a genética”, argumentou.
Os pesquisadores agora esperam sequenciar todo o genoma de Naia. “A tecnologia atual permite isso, mas ainda será um desafio”, disse Brian Kemp, antropólogo molecular na Universidade Estadual de Washington (EUA).
Eles também esperam encontrar mais esqueletos que apoiem suas conclusões. “Você não prova um argumento baseado apenas em um exemplo, na ciência”, disse Chatters. [NatGeo, LiveScience, Phys, HistoriadoMundo]

quinta-feira, 1 de maio de 2014

COMO A TERRA FEZ O HOMEM - HD


Este é um mistério que começou há quase cinco bilhões de anos: como nosso planeta tem se transformado desde a sua forma inicial, e por quê? Novas pistas indicam que a resposta está dentro de cada um de nós. Desde um caso de soluços até a sensação de déjà-vu, as características particulares que temos dentro do nosso corpo têm sua origem nas transformações contínuas da Terra ao longo de milhões e até bilhões de anos. Estaria, então, dentro de nós a chave para o impacto dos asteroides, a extinção das espécies, e o movimento dos continentes? Se assim for, isto pode revelar a história épica do planeta Terra -- e a nossa também.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

FOME E ADAPTAÇÃO: RELATÓRIO DO IPCC ALERTA PARA RISCOS DAS MUDANÇAS CLIMÁTICAS



Adaptação — este foi o tom de um importante relatório climático divulgado em 31 de março pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), grupo internacional de pesquisadores reunido pelas Nações Unidas para a elaboração de estudos científicos sobre as mudanças climáticas com possíveis implicações em termos de políticas públicas. Segundo o dito relatório, os desafios de um planeta em transformação também afetam os países mais ricos, mas deverão afligir as populações pobres com maior intensidade.
“A mudança climática alterou sistemas do Equador aos polos, do oceano às montanhas”, afirmou o biólogo Christopher Field, da Universidade Stanford, em conferência realizada na cidade de Yokohama, Japão. Field é codiretor do Grupo de Trabalho II do IPCC, equipe responsável pelo desenvolvimento do relatório (em inglês) que contou com as contribuições de 309 autores de 70 países, acrescidas dos milhares de comentários vindos dos pesquisadores revisores do trabalho.
Concluiu-se que as mudanças climáticas não são algo a ocorrer no futuro: elas já se fazem sentir nas vidas das pessoas de todo o mundo, uma vez que o clima de hoje não é o mesmo apresentado pelo planeta há apenas algumas décadas atrás, graças à queima de combustíveis fósseis, ao desmatamento e a outras atividades humanas. Portanto, vemos um princípio de adaptação — investimentos na mudança da orientação da matriz energética em direção a fontes mais limpas e renováveis, planejamento de uso responsável da água — guiando as ações governamentais e sociais.
Seleção natural
Projeto estudantil de Funafala, Tuvalu, no qual estudantes plantam vegetação típica de manguezais, cujo objetivo é o de estabilização costeira. A nação polinésia tende a sofrer com o aumento do nível do mar. Crédito: David J. Wilson
Os impactos da mudança do clima se estendem pelos ecossistemas e por esferas de atividade humana, como agricultura, infraestrutura e gestão de recursos hídricos, conforme realçado pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que parabenizou o esforço dos pesquisadores. Têm havido alterações na área ocupada por muitas espécies terrestres e marinhas e nos seus fluxos migratórios, bem como a imposição de ameaças de extinção advindas da acidificação dos oceanos e da introdução de parasitas com os quais os animais e plantas de determinado habitat não estão habituados.
Todavia, o relatório aponta que algumas questões sejam mais evidentes, dentre as quais a influência negativa das mudanças climáticas sobre a agricultura. Em geral, as lavouras de milho e trigo, por exemplo, foram mais prejudicadas por ondas de calor e pela seca do que beneficiadas pela concentração mais elevada de gás carbônico na atmosfera, com a notável exceção das produções de alguns locais no norte da Europa e no sudeste da América do Sul. O peso econômico da diminuição da produção não pode ser desconsiderado, tendo em mente toda uma classe de agricultores de subsistência (de baixa renda) e o constante aumento da demanda por víveres ocasionado pelo crescimento populacional e por níveis mais elevados de renda, especialmente nos países emergentes.
Ainda, situações climáticas extremas têm aumentado o número de casos e a gravidade de incêndios florestais e inundações, de forma que as mudanças climáticas podem intensificar a ocorrência de doenças como malária e dengue, tipicamente tropicais.
O relatório também não descarta a possibilidade de que agrupamentos humanos venham a se deslocar em busca de melhores condições de sobrevivência em virtude de desastres ambientais, novamente, tratando-se de um esforço adaptativo. Em seu trabalho em governos britânicos passados, o economista Nicholas Stern, da London School of Economics and Political Science, vinha alertando as autoridades quanto ao perigo das mudanças climáticas. Agora, ele extrai do relatório do IPCC a ideia de que, “durante este século”, essas mudanças “aumentarão o risco de populações humanas serem deslocadas” devido a enchentes e secas, bem como a desertificação e aumento do nível do mar.
Foco social e oportunidades
O relatório “Mudanças Climáticas 2014: Impacto, Adaptação e Vulnerabilidade” foi o segundo de três volumes publicados pelo IPCC. Ao contrário do primeiro relatório, que enfatizou as alterações físicas relacionadas à mudança no clima, a dissertação atual procurou destacar os aspectos sociais de um meio ambiente em transformação, privilegiando os riscos às pessoas e aos ecossistemas e os meios que as sociedades podem adotar para reduzir tais riscos. Discutiram-se instruções para a proteção de cidades litorâneas contra o aumento do nível do mar, por exemplo, além de alterações nas áreas dedicadas a pesca e agricultura.
Entretanto, ainda podemos nos prevenir de uma catástrofe maior caso cortemos nossas emissões de carbono. Os pesquisadores que conduziram os estudos físicos relativos à mudança climática, publicados em setembro de 2013, avaliaram que, desde 1880, 531 giga toneladas de carbono foram despejadas na atmosfera terrestre, e somente 800 giga toneladas podem ser emitidas para que tenhamos uma chance substantiva de manter o aquecimento global médio abaixo de 2 graus Celsius (cada giga tonelada equivale a 1 milhão de toneladas). Acima desse montante, o aquecimento provocaria uma maior probabilidade de “impactos severos, generalizados e irreversíveis”, informa o novo relatório.
Estima-se que o planeta tenha se aquecido em 0,85 °C desde 1880, o que torna o aquecimento global suficientemente “inequívoco” para Michel Jarraud, secretário-geral da Organização Meteorológica Mundial, outra agência climática da ONU. “A ignorância não é mais uma desculpa. Nós sabemos”, diz Jarraud.