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segunda-feira, 16 de abril de 2012

UM APARTHEID SILENCIOSO NO MORRO DA PROVIDÊNCIA ROCINHA

O morro vai sediar o projeto Porto Maravilha, com teleférico e plano inclinado para os turistas que virão para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 – como a Pública mostrou em janeiro. Por isso a comunidade tem sofrido "remoções compulsórias".  
"Teleférico para que, precisam e fazer ações que efetivamente acabe com o abismo que existe entre as favelas e o asfalto".
O Morro da Providência vive um apartheid silencioso é uma ferida mal cicatrizada, aberta, do descaso social. Na verdade é uma bomba relógio que explode todos os dias em conflitos entre traficantes e força de segurança pública, violência, drogas prostituição e problemas econômicos.
Ali estão pessoas do povo, esquecidas pelo governo e da sociedade civil, que encontraram uma maneira de sobreviver e de se divertir. Comem, e a maioria trabalham informalmente, jogam baralho, oram e praticam seus ritos religiosos.
As situações das casas estão longe de ser ótima. A maioria dormem amontoados, sobre colchões espalhados pelo chão e, muitas vezes, o tempo transcorre lentamente, mas o companheirismo e a solidariedade que existe entre eles permitiram que, apesar da situação física que se encontram e das condições em que vivem, mais não se esquecem de como sorrir. 

O sociólogo Darci Ribeiro – que dedicou a vida à interpretação do Brasil – disse em um de seus Ensaios Insólitos que o negro não é inferior, mas que foi inferiorizado na sociedade brasileira – pelos mesmos meios através dos quais a elite dá manutenção ao silencioso projeto de apartheid social e racial.
Agora estamos vendo a sociedade fazer com os moradores do Morro da Providência o que faziam e fazem com o negro.
 **Apartheid
Casas do Morro da Providência são marcadas para demolição.
Foto: Leo Lima
A casa de Neusimar, trabalhadora autônoma que mora com a família de sete pessoas no Morro da Providência, no Rio de janeiro, está marcada com a sigla SMH (Secretaria Municipal de Habitação). Isso significa que ela vai cair. Todas as casas e prédios vizinhos já foram demolidos porque os moradores aceitaram o aluguel social oferecido pela prefeitura, no valor de 400 reais.
Neusimar resiste porque não quer sair da casa onde sua mãe nasceu e cresceu com toda a família para um futuro incerto: “Onde vamos achar uma casa para alugar por  400 reais? Quem vai querer alugar uma casa para mim? Estou desempregada, minha mãe é doente, temos uma família grande. Não estamos aqui por teimosia, mas não vamos sair para ficar como as pessoas que a gente vê sair e ficar na rua porque não conseguem alugar nada” explica. Ela conta que sente a sua situação mais complicada a cada dia: “Está tudo no chão ao redor da minha casa, afetou a estrutura, agora estamos mesmo em situação de risco”.
Histórias como a dela são contadas no vídeo Morro da Providência, do coletivo "Entre Sem Bater", formado por alunos da Escola Popular de Comunicação Crítica (Espocc) – projeto do Observatório de Favelas que oferece a jovens e adultos, moradores de espaços populares do Rio de Janeiro, acesso a diferentes linguagens, conceitos e técnicas na área da comunicação. O mini documentário foi feito como um trabalho de conclusão de curso, mas o coletivo cresceu e os envolvidos continuam a pesquisar e documentar as remoções no Morro da Providência e outros lugares.
Crianças do Morro da Providência protestam contra a destruição da quadra.
Foto: Leo Lima
Além das remoções, o vídeo (abaixo) mostra os preparativos para a demolição da quadra do morro, onde eram feitos campeonatos de futebol e os ensaios da escola de samba da comunidade. Leo Lima, fotógrafo e integrante do Entre Sem Bater, conta que logo após a conclusão do filme a quadra foi abaixo e deu lugar à construção da torre do teleférico.

Inicio do trabalho de documentação realizado pelo projeto “Entresembater”, com a intenção de retratar a situação enfrentada pelos moradores que vem sofrendo ameaças de remoção por parte do poder público no Rio de Janeiro.
O projeto “entresembater” propõe-se a refletir e gerar um debate sobre o direito à cidade e à moradia, tendo em vista as possibilidades de ocupação territorial da mesma, documentando quatro situações emblemáticas no atual contexto da Cidade do Rio do Janeiro.
Sua participação é importantíssima!
Através do canal www.entresembater.org.br, onde você encontra, além do material produzido acerca do tema, um espaço disponível para quem quiser colaborar com qualquer tipo de mídia.
Conheça, colabore e compartilhe! “EntresemBater”.

**O termo apartheid se refere a uma política racial implantada na África do Sul. De acordo com esse regime, a minoria branca, os únicos com direito a voto, detinha todo poder político e econômico no país, enquanto à imensa maioria negra restava a obrigação de obedecer rigorosamente à legislação separatista.

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