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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

O GELO QUE ESQUENTA: OS ENGENHOSOS SEGREDOS DOS IGLUS



No norte do nosso planeta fica um dos lugares mais remotos e hostis: o Ártico, um ambiente onde é extremamente difícil sobreviver.
O iglu tem forma semiesférica e é construído pelos esquimós com blocos de gelo. Direito de imagem Thinkstock
No inverno, a região fica congelada durante meses que não parecem ter fim. E mesmo no verão, não há árvores e são muito poucas as plantas comestíveis.
Mesmo assim, alguns milhares vivem lá. São pessoas que dependem do conhecimento profundo do seu entorno e se equilibram constantemente numa linha tênue entre a vida e a morte.
Em Ilulissat, na Groenlândia, os inuítes - ou inuit, que são os membros da nação indígena esquimó que habitam as regiões árticas - costumam festejar todos os anos a volta do sol.
Depois de meses de escuridão, o astro volta a iluminar o céu aos 13 minutos da 13ª hora do 13º dia do mês de janeiro.
O calor do lugar
Os habitantes do Polo Norte não teriam a mínima chance de sobreviver sem um local onde se abrigar.
Ou seja: um iglu pode significar a diferença entre a vida ou a morte quando a temperatura é de 20 graus abaixo de zero.
Para fugir do frio extremo, uma casa de neve? Direito de imagem Pixabay
Os pais inuítes ensinam aos filhos ainda pequenos como construir essas casas tão peculiares.
Eles mostram, por exemplo, qual o tipo de neve deve ser usado e como cortá-la.
Depois, explicam como devem ser unidos os blocos de gelo para garantir que a casa não desabe.
Um iglu bem construído deve permitir a entrada da luz e ao mesmo tempo manter fora o vento gelado.
O passo a passo do iglu
Por ser feito com materiais que podem ser conseguidos com facilidade, o iglu é a casa perfeita para o Ártico.
Mas o que os torna ainda mais adequados são as características dos iglus tradicionais feitos em Igloolik, na região ártica do Canadá.

1. Neve
Comecemos com o básico: o iglu é feito de neve e mais nada.
E como em qualquer outra construção, a qualidade do material é importante.
A neve deve estar suficientemente seca e firme para ser manipulada e cortada com uma serra.
2. Isolamento térmico
Para proteger o iglu, os esquimós o cercam com neve na altura da primeira fileira de blocos.
Isso ajuda a manter a casa quente - considerando que "quente", neste caso, é relativo.
3. Plataforma
Onde dormir em um iglu?
Na cama, que é uma plataforma de neve com até 60 centímetros de altura.
Como o ar quente sempre sobe, com uma cama alta é possível aproveitar a parte mais aquecida do espaço, que fica próxima do teto.
Tradicionalmente, uma pequena lamparina a óleo ajuda a esquentar o ambiente, mas é preciso que ela esteja pendurada e não eleve muito a temperatura, pois as paredes podem começar a derreter.
Ao construir um iglu é importante deixar entrar luz e ar. Direito de imagem Thinkstock
4. Duto de ventilação
É preciso fazer um pequeno buraco a mais ou menos três quartos da altura do iglu.
Isso vai funcionar como um duto de ventilação, que deixa entrar o ar fresco.
Outra função importante do duto é manter o interior do iglu seco, servindo como saída para o vapor produzido pela respiração dos moradores.
5. Entrada
A entrada é um túnel que começa na parte interna da parede do iglu.
Esta é a parte mais fria, mas quando se chega à sala de estar a temperatura será mais alta.
6. Estrutura
O iglu é construído em espiral - o primeiro círculo de blocos é disposto ligeiramente inclinado para o interior.
Uma vez completada essa parte, é esculpida uma inclinação na parte de cima dos blocos para que as camadas seguintes formem uma espiral, como acontece quando se descasca uma laranja com a faca de uma só vez.
Essa espiral é o que dá resistência ao iglu.
Em seguida é feito o teto, deixando apenas uma pequena abertura na parte de cima da espiral.
Por último, basta apenas cortar um pedaço de neve no formato da abertura e fechar o iglu.

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