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sábado, 24 de junho de 2017

FLUORESCENTES X LED: QUAIS SÃO AS LÂMPADAS MAIS ECONÔMICAS?



Desde julho deste ano, as lâmpadas incandescentes tiveram sua venda suspensa no país. Até 2010, cerca de 70% dos lares brasileiros utilizavam estes tipos de lâmpadas, proibidas agora por não atenderem à portaria do Ministério de Minas e Energia, que determinou eficiência luminosa mínima para a fabricação e comercialização de lâmpadas no país.
Tipos de Lâmpadas
Entre as lâmpadas mais econômicas disponíveis no mercado atualmente, estão a fluorescente e a de LED. Mas você sabe qual vale mais a pena? Para entender melhor qual é a opção mais vantajosa, é fundamental entender como cada uma destas tecnologias funciona.
Lâmpadas fluorescentes
A lâmpada fluorescente foi criada por Nikola Tesla, um dos mais icônicos inventores da história, e começou a ser vendida no mercado em 1938. Na época, ela representou um salto em economia em comparação às lâmpadas incandescentes. Mas, você sabe como ela funciona?
De maneira simplificada, ao ligarmos o interruptor, dentro das lâmpadas fluorescentes é gerada uma corrente elétrica que migra de uma extremidade a outra por meio de uma mistura de gases, normalmente o mercúrio.
Ao ser estimulado, os gases emitem radiação ultravioleta, que não são visíveis aos olhos humanos e, por isso, precisam ser convertidos em luz visível. Para isso, as lâmpadas são revestidas por uma substância que tem como base o fósforo.
Esse revestimento absorve a radiação UV produzida pela reação da corrente elétrica na mistura de gases, gerando a luz. Além da iluminação, nesta reação, a lâmpada fluorescente também produz calor em um processo físico conhecido como efeito Joule.

E as lâmpadas de LED?
No mercado desde a década de 60, as lâmpadas LED foram desenvolvidas por Nick Holonyak, quando este trabalhava para a General Eletric, multinacional americana de serviços e tecnologia.
Estas lâmpadas possuem componentes eletrônicos semicondutores que funcionam como um chip e possuem a capacidade de transmitir corrente elétrica sem utilizar filamentos, como ocorre nas lâmpadas incandescentes, ou gás, como nas lâmpadas fluorescentes. Essa composição faz toda diferença no LED. Sua forma de transmissão de corrente elétrica faz com que a lâmpada quase não dissipe nem calor, nem vibração, tornando-a mais eficiente.
Confira este vídeo sobre as diferenças entre as lâmpadas no Canal do Manual do Mundo.

Qual a lâmpada mais econômica?
Em relação à diferença de consumo, as lâmpadas mais econômicas são as de LED, e são dois os principais motivos que explicam isso.
O primeiro é que a energia consumida pela LED é revertida quase que totalmente em luz e não em calor. Na prática, isso quer dizer que enquanto a fluorescente gasta em média 15 W, a mesma luminosidade em um ambiente pode ser alcançada por um LED com 10 W.
Então a lâmpada LED não esquenta? Na verdade, sim. A LED esquenta, no entanto, o processo de iluminação é extremamente eficiente, e o calor residual mínimo produzido é 98% dissipado.
Mesmo assim, o calor produzido nem se compara com as lâmpadas fluorescentes. Segundo o Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, da energia gasta por uma lâmpada fluorescente, 20% é transformada em luz, enquanto que 80% é gasta na forma de calor.
No que diz respeito à economia, segundo um comparativo realizado pela página do Planeta Sustentável da Abril, o gasto total em reais após o uso de 25 mil horas em lâmpada fluorescente é de R$ 142,50, enquanto que a mesma duração com LED representa um gasto de R$122. Outra forma de comparar as lâmpadas é através da relação lúmens, fluxo luminoso, por Watt. Os lúmens são uma unidade de medida que quantificam a intensidade luminosa de uma fonte de luz.
Dados da PROCEL de 2007 mostram um estudo comparativo sobre a eficiência das lâmpadas:
O segundo motivo que demonstra que as lâmpadas mais econômicas são as de LED em relação às fluorescentes é a vida útil. Entretanto, apesar das lâmpadas de LED não “queimarem” como as demais lâmpadas, ela vai perdendo seu brilho lentamente.
Ainda assim, sua vida útil é de 25 mil horas até que seu brilho caia a 70% da sua capacidade normal, momento que é considerado entre os pesquisadores quando de fato as pessoas passam a perceber a diminuição do brilho.
Mesmo assim, a durabilidade da lâmpada LED corresponderia a mais de 3 lâmpadas compactas fluorescentes.  
LED: 25 mil horas
Fluorescente compacta: 8 mil horas
Halógena: 1 mil horas
Incadescente: 1 mil horas
Mais econômica e com vida útil mais longa, no entanto, o preço da lâmpada LED é mais alto.
Mas, afinal, por que a lâmpada LED é mais cara?
Apesar do preço das lâmpadas de LED assustar muitos consumidores, o que poucos compreendem é que a economia proporcionada por este investimento se dá a longo prazo.
Entre alguns dos motivos, a baixa competitividade da indústria de LED brasileira faz com que os produtos importados dominem o mercado. Além disso, uma das principais matérias primas, o cristal semicondutor, não é fornecido no Brasil e, por isso, sua obtenção só feita por meio de importação.
Mesmo assim, os preços vêm caindo gradualmente, e as projeções futuras são promissoras para a difusão desta tecnologia.
Meio ambiente e saúde humana
Além das lâmpadas LED representarem uma alternativa mais econômica, elas chegam a reduzir em até 90% o consumo de energia com iluminação e, também por isso, são eficientes energeticamente, sendo mais sustentáveis.
Em relação ao meio ambiente, a iluminação em LED também não emite radiação UV.
Segundo estudo americano, algumas fissuras no revestimento de fósforo das lâmpadas fluorescente podem expor a pele humana a radiações ultravioletas A e C, que por sua vez levam a danos nas células da pele e dos olhos.
Porém, a grande desvantagem ambiental da fluorescente é em relação ao seu descarte. Isso porque o rompimento da lâmpada leva ao escape de gases como mercúrio e o chumbo, elementos extremamente nocivos aos humanos.
Inclusive, o vapor de mercúrio pode contaminar e causar danos à atmosfera, além de ser extremamente tóxico aos seres vivos.
Além da economia, saber escolher qual lâmpada mais econômica para comprar ajuda diretamente no descarte de resíduos nocivos ao meio ambiente e à saúde humana e, de quebra, também diminui o desperdício de energia.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

HISTOLOGIA BÁSICA, TEXTO E ATLAS - 12ª EDIÇÃO - JUNQUEIRA & CARNEIRO


12.ª edição

Traduzido para 15 idiomas, a cada edição 'Histologia Básica' conquista mais a admiração de professores e estudantes. A trajetória ascendente do livro, em todo o mundo, o consagra como uma das mais importantes obras científicas já publicadas. Esta 12.ª edição, talvez a melhor em todos os tempos, seguramente reforçará essa posição em virtude dos muitos aprimoramentos de que ela foi alvo: - Todos os capítulos foram revistos e, quando necessário, atualizados com os resultados mais importantes das pesquisas recentes - Praticamente todos os desenhos foram refeitos ou aprimorados para que se tornassem ainda mais detalhados, com mais informações. - Nesta edição todas as fotomicrografias de lâminas são coradas pela hematoxilina-eosina, padrão mais comum no estudo da histologia. - Foram incluídos dois tipos de boxes: Para saber mais e Histologia aplicada. - O atlas, único em livros-texto de histologia, foi totalmente refeito e ampliado. - O projeto gráfico moderno e agradável possibilita leitura mais confortável. - A qualidade gráfica mereceu atenção minuciosa, desde o papel à impressão.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

A NECESSIDADE ECONÔMICA QUE LEVOU AO DESENVOLVIMENTO DA PRIMEIRA FORMA DE ESCRITA



Durante muito tempo, pelo menos até meados do século 20, não se sabia ao certo por que as civilizações antigas tinham desenvolvido a escrita. Teria sido por razões artísticas ou religiosas? Ou talvez para permitir a comunicação com exércitos distantes?
Em 1929, o mistério cresceu ainda mais quando o arqueólogo alemão Julius Jordan desenterrou uma vasta biblioteca de tábuas de argila de cinco mil anos de idade.
Esta tábua exibe, em escrita cuneiforme, um recibo sobre o comércio de bois. 
Direito de imagem Science Photo Library
Essas tábuas eram até mais antigas do que amostras descobertas na China, no Egito e na Mesopotâmia, e continham gravações em uma escrita abstrata, que depois ficaria conhecida como "cuneiforme".
As tábuas eram de Uruk, um vilarejo da Mesopotâmia nas margens do rio Eufrates - onde hoje fica o Iraque.
As ruínas de Uruk e outras cidades da Mesopotâmia estavam repletas de pequenos objetos de barro misteriosos. Direito de imagem Getty Images
Uruk era pequena para os padrões atuais, com apenas alguns milhares de habitantes, mas na época era enorme, uma das primeiras cidades do mundo.
"Ele construiu a muralha da cidade de 'Uruk', a cidade dos currais", proclama a Epopeia de Gilgamesh, uma das primeiras obras da literatura. "Olhe para sua muralha com seus frisos como bronze! Contemple seus bastiões, que ninguém pode fazer igual!"
Essa grande cidade criou uma escrita que por anos intrigou os estudiosos modernos. O que diziam aqueles traços abstratos?
Contagem por correspondência
As ruínas de Uruk e outras cidades mesopotâmicas estavam repletas de pequenos objetos de barro em formato de cone, esfera ou cilindro. Um arqueólogo chegou a brincar que pareciam supositórios.
Já Julius Jordan foi mais perceptivo e escreveu em um periódico que eram objetos com formas de "objetos do dia a dia - potes, pães e animais".
Mas para que serviam? Ninguém conseguia resolver o quebra-cabeça.
Pelo menos até a arqueóloga francesa Denise Schmandt-Besserat, que, nos anos 1970, catalogou peças semelhantes encontradas na região, desde a Turquia ao Paquistão, que chegavam a ter 9.000 anos de idade.
Schmandt-Besserat acreditava que os objetos tinham um propósito em comum: a contagem por correspondência. As peças com forma de pães seriam usadas para contar pães, as peças em forma de potes, para contar potes, e assim por diante.
A contagem por correspondência é simples: você não precisa saber contar, basta olhar para comparar duas quantidades e verificar se são ou não as mesmas.
O osso de Ishango, de 20 mil anos, parece mostrar riscos que correspondiam a marcas de contagem. Direito de imagem Royal Belgian Institute of Natural Sciences/Thier
A técnica é ainda mais antiga que Uruk. O osso de Ishango, de 20 mil anos, encontrado próximo a uma das nascentes do Nilo na República Democrática do Congo, parece usar marcas de contagem no osso da coxa de um babuíno.
Economia urbana
Mas as peças de Uruk foram mais longe: eram usadas para registrar a contagem de várias quantidades diferentes e podiam ser usadas tanto para adicionar quanto para subtrair.
É bom lembrar que Uruk era uma cidade grande. Havia clero e artesãos, e a comida era colhida no campo.
Uma economia urbana exige negociação, planejamento e tributação. Imagine os primeiros contadores do mundo, sentados na porta do armazém do templo, usando peças de pão para contar os sacos de grãos que chegavam e partiam.
Uma tábua de escrita cuneiforme encontrada em Uruk. Direito de imagem Alamy
Denise Schmandt-Besserat destacou outra característica revolucionária. As marcas abstratas nas tábuas cuneiformes combinavam com as peças. Outros especialistas que se debruçaram sobre elas não notaram isso porque a escrita não parecia representar imagens de algo conhecido.
Mas Schmandt-Besserat percebeu o que tinha acontecido ali. As tábuas eram usadas para registrar o vai e vem das peças que, por correspondência, marcavam o movimento de ovelhas, grãos e potes de mel.
Talvez as primeiras tábuas tivessem inclusive impressões gravadas pelas próprias peças - pressionadas contra o barro. Até os contadores perceberem que talvez fosse mais fácil fazer marcas com uma cunha, um antigo instrumento de inscrição em tábuas.
A escrita cuneiforme era, portanto, a imagem estilizada da impressão das peças que representavam determinadas commodities. Não é de se admirar que ninguém tivesse feito essa conexão antes de Schmandt-Besserat.
Equipamento de verificação
Ela resolveu dois problemas de uma só vez. As tábuas de barro adornadas com a primeira escrita abstrata do mundo não eram usadas para poesia ou para enviar mensagens a terras distantes. Elas foram usadas como um pioneiro sistema de contabilidade.
Também eram usadas como os primeiros contratos escritos do mundo - pela pequena distância entre um registro do que foi pago e de uma obrigação futura a ser paga.
Estas 'bullas', descobertas no Iraque, registram transações da agricultura no 8º milênio a.C. 
Direito de imagem Alamy
A combinação de peças e tábuas de escrita cuneiforme levou a um dispositivo brilhante: uma bola de argila oca chamada bulla.
As peças representando as obrigações de um acordo eram colocadas no interior da bulla, que era então selada. As inscrições das peças eram então gravadas na parte externa do artefato.
Acredita-se que as bullas eram espécies de contratos em envelopes antigos, que eram fechados por segurança para que os termos do acordo não fossem alterados. A escrita na parte de fora e as peças dentro da bola de argila deveriam ser iguais.
Não sabemos que tipo de acordo seriam - se eram dízimos religiosos para o templo, impostos ou dívidas privadas. Mas tais registros eram ordens de compra e recibos que tornavam possível a complexa vida da cidade.
A maioria das transações hoje é baseada em contratos escritos. Apólices de seguro, contas bancárias, títulos do governo, ações corporativas e hipotecas são acordos escritos - e as bullas da Mesopotâmia são a primeira prova arqueológica de contratos escritos.
Os contadores de Uruk nos deram ainda outra inovação. Inicialmente, para registrar cinco ovelhas bastava se gravar cinco símbolos de ovelhas. Mais tarde, um sistema mais avançado envolvia o uso de símbolos abstratos para diferentes números: cinco traços para o número cinco, um círculo para dez, dois círculos e três traços para 23.
Os números eram sempre usados para se referir à quantidade de algo: não havia "dez" - e sim "dez ovelhas". Mas o sistema numérico era forte o suficiente para expressar grandes quantidades - centenas ou milhares.
Uma demanda para reparações de guerra feita há de 4.400 anos exigia como pagamento cerca de 4,5 trilhões de litros de grãos de cevada. Era uma conta impagável - 600 vezes a produção anual americana de cevada hoje. Mas era um número impressionantemente grande. Foi também a primeira prova escrita do mundo dos juros compostos.
Como um todo, tratou-se de um conjunto de conquistas.
Os cidadãos de Uruk enfrentaram um enorme problema para qualquer economia moderna - como lidar com uma rede de obrigações e compromissos à distância entre pessoas que não se conheciam bem, que talvez nunca se conhecessem.
Resolver este problema significava produzir uma cadeia de brilhantes inovações: não apenas a primeira contabilidade e os primeiros contratos, mas a primeira matemática e também a primeira escrita - que foi, portanto, uma ferramenta desenvolvida por uma razão muito clara: gerenciar a economia.