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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

CIENTISTAS RECONSTITUEM IMAGEM DE “PRIMEIRA FLOR DO PLANETA”



Um estudo recente sugere que todas as flores que conhecemos hoje derivam de um único antepassado, que viveu há cerca de 140 milhões de anos.
A pesquisa foi divulgada na publicação científica Nature Communications e envolveu cientistas da Universidade do Sul de Paris, que combinaram modelos da evolução das flores com o maior arquivo de dados sobre características de flores que existem hoje.
Modelo de flor ancestral reconstruída pelo novo estudo, mostrando múltiplos verticilos de órgãos semelhantes a pétalas, em conjuntos de três. Direito de imagem: herve.sauquet@u-psud.fr, juerg.schoenenberger@univ
A flor ancestral - recriada em um modelo 3D - é composta de órgãos em forma de pétala dispostos, em conjunto de três, por camadas sobrepostas, com órgãos reprodutores masculinos e femininos no centro.
Hervé Sauquet, um dos autores do artigo disse: "Não há uma flor viva que se pareça exatamente com a ancestral - e por que haveria? Esta é uma flor que existiu há pelo menos 140 milhões de anos atrás e teve um tempo considerável para evoluir para a incrível diversidade de flores que existem hoje".
Todos estamos familiarizados com a beleza das flores - as estruturas reprodutivas produzidas por cerca de 90% de todas as plantas terrestres vivas. Mas a origem e a evolução inicial são um mistério, principalmente por causa da falta de fósseis de flores do período em que se acredita que essa flor ancestral teria existido.
Jason Hilton, da Universidade de Birmingham, que não estava envolvido no estudo, diz que "a estrutura e organização da flor 'ancestral' ainda é um enigma".
"Por exemplo, nós não sabemos com certeza se a flor mais velha de todas era bissexuada ou monossexuada ou se ela era polinizada por insetos ou pelo vento."
Para reconstruir a aparência da primeira flor, os cientistas registraram características - como as pétalas e sépalas - das flores de 792 espécies vivas.
Eles mapearam a distribuição dessas características na árvore evolutiva das plantas com flores, o que permitiu que reconstruíssem a aparência das flores em momentos-chave de sua história - até chegar à imagem do último antepassado comum de todas.
À esquerda: disposição espiral de pétalas em uma flor de lótus. À direita: arranjo de verticilo de pétalas em uma flor de lírio. Direito de imagem Science Photo Library
A primeira flor é reconstruída com estruturas parecidas com pétalas em verticilos florais, com várias pétalas em uma mesma camada, como, por exemplo, em um lírio comum, em vez de pétalas se sobrepondo em arranjos espirais ao redor do talo, como em uma flor de lótus.
"Para algumas das características que nós estudamos, o resultado foi surpreendente. Especialmente o fato de que órgãos (como sépalas, pétalas e estames) provavelmente estavam dispostos em verticilos em vez de espirais, como se acreditava antes", disse Hervé Sauquet.
A evolução sexual das flores tem sido altamente debatida. As flores podem ser monossexuadas ou bissexuadas - no caso, este estudo pressupõe uma flor ancestral bissexuada com órgãos masculinos e femininos.
"Este estudo é importante, porque nos diz o quão complexa provavelmente era a flor ancestral - agora nossa busca é encontrar algum registro ou fóssil dela. Isso se o modelo que estamos pensando for correto - apenas o tempo (e pesquisas mais aprofundadas) podem dizer isso ", disse Jason Hilton.
Fonte: Sarah Gabbott Professora de Paleobiologia da Universidade de Leicester - BBC

COMO COLA INSPIRADA EM GOSMA DE LESMA PODE AJUDAR A SALVAR VIDAS



Um muco defensivo produzido pelas lesmas inspirou um novo tipo de cola que pode transformar a medicina. É o que afirmam cientistas da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.
Lesmas serviram de inspiração para um novo tipo de 'biocola' super aderente. 
Direito de imagem SPL
A "biocola" é especialmente resistente, ajusta-se ao corpo e, acima e tudo, adere a superfícies úmidas.
Uma equipe de Harvard já usou o material, inclusive, para selar um buraco no coração de um porco.
O protótipo do produto recebeu elogios de especialistas, que preveem uma "alta demanda".
Conseguir uma substância que grude em uma superfície úmida tem sido um grande desafio - basta lembrar do que acontece quando você tenta colocar um band-aid no dedo molhado.
Cientistas do Instituto Wyss para Engenharia Biologicamente Inspirada da Universidade de Harvard buscaram inspiração na lesma Arion fuscus, que produz um muco pegajoso como defesa contra predadores.
"Criamos nosso material para ter as principais características do muco da lesma e o resultado é muito positivo", conta o pesquisador Jianyu Li.
A "biocola" produzida é formada por dois componentes - o adesivo de fato e um "amortecedor bioquímico".
A alta viscosidade se deve à combinação de três fatores: a atração entre a carga positiva da cola e a carga negativa de células do corpo; ligações covalentes entre os átomos na superfície da célula e a cola; e a forma como a cola penetra fisicamente nas superfícies do tecido.
Nova cola é formada por dois componentes - o adesivo de fato e um 'amortecedor bioquímico'. Direito de imagem J Li
Mas é o componente "amortecedor " que é crucial - ele dilui o estresse físico e a tensão para que o componente adesivo permaneça grudado.
Os experimentos realizados, publicados na revista Science, mostram que a cola não é tóxica para o tecido vivo e é três vezes mais forte do que qualquer outro adesivo médico.
"Estou muito impressionado com esse sistema. Resolvemos um grande desafio e abrimos grandes oportunidades na área médica", afirma Li.
"As aplicações são bem amplas - o material é muito resistente, elástico e adaptável, o que é muito útil quando você deseja interagir com um tecido dinâmico, como o coração ou os pulmões".
Ele pode ser usado como um esparadrapo na pele ou como um líquido injetado em ferimentos mais profundos no corpo.
Há também a ideia de utilizá-lo como forma de liberar drogas para partes específicas do corpo ou para colar dispositivos médicos em órgãos, como aqueles que ajudam o coração a bater.
A nova cola adere a uma superfície em três minutos e vai ficando mais forte. Em meia hora, está tão resistente quanto a própria cartilagem do corpo.
“Alta demanda”
"É muito legal, devo admitir", afirma Chris Holland, do departamento de ciência e engenharia de materiais da Universidade de Sheffield, no Reino Unido.
"Claramente supera as alternativas no mercado e existe uma demanda potencial muito alta", avalia.
"Ainda é muito incipiente, mas esse tipo de coisa pode ser parte do kit padrão de um cirurgião", acrescenta.
Embora ainda não exista uma tecnologia pronta para uso médico, sua capacidade já foi provada mecanicamente em laboratório. Foram realizados testes com ratos e com um porco - os cientistas selaram um buraco no coração do animal que não vazou nem sobre a tensão de milhares de batimentos cardíacos simulados.
O Instituto Wyss, que solicitou a patente do produto, diz que a produção da cola é barata.
“Salva-vidas”
Também estão sendo desenvolvidas versões biodegradáveis ​​que, naturalmente, desapareceriam à medida que o corpo se recupera.
"A necessidade de novos adesivos, como colas ou fitas, é evidente para todos os profissionais de saúde", diz o professor John Hunt, líder de pesquisa sobre tecnologias médicas e materiais avançados na Nottingham Trent University, no Reino Unido.
"(A nova cola). Tem o potencial de melhorar os cuidados com a saúde e salvar vidas", afirma.
"Essa pesquisa é realmente emocionante, (mas) o detalhe da biocompatibilidade precisará ir além do que é apresentado no estudo para orientar sua eficácia clínica e segurança a longo prazo e, portanto, aplicações médicas reais", conclui.

sábado, 24 de junho de 2017

FLUORESCENTES X LED: QUAIS SÃO AS LÂMPADAS MAIS ECONÔMICAS?



Desde julho deste ano, as lâmpadas incandescentes tiveram sua venda suspensa no país. Até 2010, cerca de 70% dos lares brasileiros utilizavam estes tipos de lâmpadas, proibidas agora por não atenderem à portaria do Ministério de Minas e Energia, que determinou eficiência luminosa mínima para a fabricação e comercialização de lâmpadas no país.
Tipos de Lâmpadas
Entre as lâmpadas mais econômicas disponíveis no mercado atualmente, estão a fluorescente e a de LED. Mas você sabe qual vale mais a pena? Para entender melhor qual é a opção mais vantajosa, é fundamental entender como cada uma destas tecnologias funciona.
Lâmpadas fluorescentes
A lâmpada fluorescente foi criada por Nikola Tesla, um dos mais icônicos inventores da história, e começou a ser vendida no mercado em 1938. Na época, ela representou um salto em economia em comparação às lâmpadas incandescentes. Mas, você sabe como ela funciona?
De maneira simplificada, ao ligarmos o interruptor, dentro das lâmpadas fluorescentes é gerada uma corrente elétrica que migra de uma extremidade a outra por meio de uma mistura de gases, normalmente o mercúrio.
Ao ser estimulado, os gases emitem radiação ultravioleta, que não são visíveis aos olhos humanos e, por isso, precisam ser convertidos em luz visível. Para isso, as lâmpadas são revestidas por uma substância que tem como base o fósforo.
Esse revestimento absorve a radiação UV produzida pela reação da corrente elétrica na mistura de gases, gerando a luz. Além da iluminação, nesta reação, a lâmpada fluorescente também produz calor em um processo físico conhecido como efeito Joule.

E as lâmpadas de LED?
No mercado desde a década de 60, as lâmpadas LED foram desenvolvidas por Nick Holonyak, quando este trabalhava para a General Eletric, multinacional americana de serviços e tecnologia.
Estas lâmpadas possuem componentes eletrônicos semicondutores que funcionam como um chip e possuem a capacidade de transmitir corrente elétrica sem utilizar filamentos, como ocorre nas lâmpadas incandescentes, ou gás, como nas lâmpadas fluorescentes. Essa composição faz toda diferença no LED. Sua forma de transmissão de corrente elétrica faz com que a lâmpada quase não dissipe nem calor, nem vibração, tornando-a mais eficiente.
Confira este vídeo sobre as diferenças entre as lâmpadas no Canal do Manual do Mundo.

Qual a lâmpada mais econômica?
Em relação à diferença de consumo, as lâmpadas mais econômicas são as de LED, e são dois os principais motivos que explicam isso.
O primeiro é que a energia consumida pela LED é revertida quase que totalmente em luz e não em calor. Na prática, isso quer dizer que enquanto a fluorescente gasta em média 15 W, a mesma luminosidade em um ambiente pode ser alcançada por um LED com 10 W.
Então a lâmpada LED não esquenta? Na verdade, sim. A LED esquenta, no entanto, o processo de iluminação é extremamente eficiente, e o calor residual mínimo produzido é 98% dissipado.
Mesmo assim, o calor produzido nem se compara com as lâmpadas fluorescentes. Segundo o Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo, da energia gasta por uma lâmpada fluorescente, 20% é transformada em luz, enquanto que 80% é gasta na forma de calor.
No que diz respeito à economia, segundo um comparativo realizado pela página do Planeta Sustentável da Abril, o gasto total em reais após o uso de 25 mil horas em lâmpada fluorescente é de R$ 142,50, enquanto que a mesma duração com LED representa um gasto de R$122. Outra forma de comparar as lâmpadas é através da relação lúmens, fluxo luminoso, por Watt. Os lúmens são uma unidade de medida que quantificam a intensidade luminosa de uma fonte de luz.
Dados da PROCEL de 2007 mostram um estudo comparativo sobre a eficiência das lâmpadas:
O segundo motivo que demonstra que as lâmpadas mais econômicas são as de LED em relação às fluorescentes é a vida útil. Entretanto, apesar das lâmpadas de LED não “queimarem” como as demais lâmpadas, ela vai perdendo seu brilho lentamente.
Ainda assim, sua vida útil é de 25 mil horas até que seu brilho caia a 70% da sua capacidade normal, momento que é considerado entre os pesquisadores quando de fato as pessoas passam a perceber a diminuição do brilho.
Mesmo assim, a durabilidade da lâmpada LED corresponderia a mais de 3 lâmpadas compactas fluorescentes.  
LED: 25 mil horas
Fluorescente compacta: 8 mil horas
Halógena: 1 mil horas
Incadescente: 1 mil horas
Mais econômica e com vida útil mais longa, no entanto, o preço da lâmpada LED é mais alto.
Mas, afinal, por que a lâmpada LED é mais cara?
Apesar do preço das lâmpadas de LED assustar muitos consumidores, o que poucos compreendem é que a economia proporcionada por este investimento se dá a longo prazo.
Entre alguns dos motivos, a baixa competitividade da indústria de LED brasileira faz com que os produtos importados dominem o mercado. Além disso, uma das principais matérias primas, o cristal semicondutor, não é fornecido no Brasil e, por isso, sua obtenção só feita por meio de importação.
Mesmo assim, os preços vêm caindo gradualmente, e as projeções futuras são promissoras para a difusão desta tecnologia.
Meio ambiente e saúde humana
Além das lâmpadas LED representarem uma alternativa mais econômica, elas chegam a reduzir em até 90% o consumo de energia com iluminação e, também por isso, são eficientes energeticamente, sendo mais sustentáveis.
Em relação ao meio ambiente, a iluminação em LED também não emite radiação UV.
Segundo estudo americano, algumas fissuras no revestimento de fósforo das lâmpadas fluorescente podem expor a pele humana a radiações ultravioletas A e C, que por sua vez levam a danos nas células da pele e dos olhos.
Porém, a grande desvantagem ambiental da fluorescente é em relação ao seu descarte. Isso porque o rompimento da lâmpada leva ao escape de gases como mercúrio e o chumbo, elementos extremamente nocivos aos humanos.
Inclusive, o vapor de mercúrio pode contaminar e causar danos à atmosfera, além de ser extremamente tóxico aos seres vivos.
Além da economia, saber escolher qual lâmpada mais econômica para comprar ajuda diretamente no descarte de resíduos nocivos ao meio ambiente e à saúde humana e, de quebra, também diminui o desperdício de energia.