Esta foto foi escolhida pela BBC 28 de setembro, 2012 como uma das 20 mais bonitas

Sejamos proativos nas questões relacionadas às mudanças climáticas, pois não seremos poupados de seus efeitos devastadores a curto e longo prazo.
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quarta-feira, 31 de agosto de 2016

CONHEÇA O BIOCONCRETO, MATERIAL QUE FECHA AS PRÓPRIAS RACHADURAS


O concreto é o material mais consumido do mundo, atrás apenas da água, segundo o Conselho Empresarial Mundial para o Desenvolvimento Sustentável

A ideia soa tão atraente quanto a ficção científica: edifícios que fecham suas próprias rachaduras, como seres vivos curando suas feridas.
Para o cientista holandês Henk Jonkers, não se trata de um projeto fantástico, mas uma realidade muito concreta - literalmente.
Pesquisadores da Universidade Técnica de Delft, na Holanda, desenvolveram o que chamaram de bioconcreto, um material literalmente vivo e capaz de regenerar construções desgastadas.
"Nosso concreto vai revolucionar a maneira como construímos, pois nos inspiramos na natureza", disse Jonkers, por ocasião de receber o prêmio de melhor europeu inventor em 2015 .
Pesquisadores acreditam que o bioconcreto possa fortalecer estruturas e assim reduzir o potencial de estrago causado por terremotos
Mais do que inspirado na natureza, o bioconcreto é feito dela. É que as propriedades extraordinárias do material se devem à presença de bactérias.
Duras de matar
Para preparar o bioconcreto, os cientistas misturam concreto tradicional com colônias da bactéria Bacillus pseudofirmus, que em seu estado natural pode habitar ambientes tão hostis quando crateras de vulcões ativos.
"O surpreendente é que essas bactérias formam esporos e podem sobreviver por mais de 200 anos nos edifícios", diz Jonkers.
A essa mistura acrescenta-se lactato de cálcio - alimento das bactérias - e o material está pronto.
Sem oxigênio e em estado latente, as bactérias que compõem o bioconcreto podem permanecer vivas por séculos, dizem cientistas
Quando aparecem fissuras nos edifícios construídos de bioconcreto, as bactérias que aí habitam ficam expostas aos elementos físicos, principalmente água.
A umidade que penetra nas fissuras "acorda" os microorganismos, que começam a consumir lactato de cálcio e, como produto final da digestão, produzem calcário.
O calcário repara as rachaduras no bioconcreto em apenas três semanas.
Economia de custo
"Não há limite para a extensão da rachadura que o nosso material pode reparar. Pode ser de centímetros a quilômetros", diz Henk Jonkers.
Para a rachadura em si, no entanto, há um limite: a fissura não pode ser mais larga que 8 milímetros.
Material pode reparar rachaduras de qualquer extensão, desde que não tenham uma abertura maior que oito milímetros
Ainda assim, o bioconcreto pode economizar bilhões de dólares na manutenção de estruturas como paredes de edifícios, pontes ou barragens.
Segundo a HealCon, organização que pretende promover o uso de novo material, só na Europa são gastos anualmente US $ 6,8 bilhões (mais de R$ 22 bilhões) para reparar edifícios enfraquecidos.
"Apesar de ser mais caro que o concreto tradicional, o benefício econômico é perceptível, pois economiza em custos de manutenção", disse o cientista ao jornal britânico The Guardian
Henk Jonkers afirma que o material já foi empregado na construção de canais de irrigação no Equador, país altamente sísmico.
Material pode ser usado em obras monumentais, como a terceira ponte sobre o estreito de Bósforo na Turquia - mas a que custo?
O material também seria uma esperança para prédios antigos e cheios de rachadura, susceptíveis a colapsar mesmo com tremores de terra leves.
A técnica forma a base de um spray, também desenvolvido pela Universidade Técnica de Delft, que usa os mesmos princípios e pode ser aplicado diretamente sobre pequenas rachaduras.
Teste do mercado
Mas apesar da visão tentadora de edifícios capazes de se autorreparar, o bioconcreto ainda precisa superar o teste mais duro de todos: do mercado.
Cidades grandes, como a Cidade do México, combinam construções novas com edifícios antigos e fragilizados
O custo do novo produto poderia elevar demasiadamente o valor de grandes projetos de infraestrutura.
Segundo o Guardian, enquanto o metro cúbico de concreto tradicional custa pouco menos de US$ 80 (R$ 260), o novo material passaria dos US$ 110 (R$ 360) - um acréscimo de quase 40%.
Para ser bem sucedido, essa conta é agora a principal lacuna que o bioconcreto deve fechar.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

POR QUE A ITÁLIA É TÃO SUSCETÍVEL A TERREMOTOS?


Tremor de 6.2 de magnitude atingiu região central do país na madrugada desta quarta-feira, deixando mortos e feridos

A Itália sofreu na madrugada desta quarta-feira o terremoto mais intenso desde 2009. O tremor de magnitude 6.2 deixou pelo menos 73 mortos e mais de 150 desaparecidos, além de milhares de desabrigados.
Mas abalos de grande intensidade fazem parte da rotina de quem vive ao longo da cordilheira dos Apeninos ─ o último do tipo aconteceu há quatro anos, em 2012, em Medolla, no norte do país, e deixou ao menos 17 mortos.
Por quê?
Segundo dados disponibilizados pela agência governamental americana que monitora desastres naturais, desde 2000 a Itália registrou 12 terremotos de grande intensidade.
A atividade sísmica na região mediterrânea é resultado do grande atrito entre as placas tectônicas da África e da Eurásia. Mas há mais detalhes a serem levados em conta no terremoto da madrugada desta terça-feira.
O Mar Tirreno, no oeste da Itália, entre o continente e as ilhas da Sardenha/Córsega, está se abrindo aos poucos, cerca de 2 cm por ano.
Cientistas dizem que isso vem contribuindo para o "racha" ao longo dos Apeninos. Segundo alguns especialistas, essa pressão é agravada pelo movimento da crosta terrestre no leste, no Mar Adriático, que estaria se movendo para debaixo da Itália.
O resultado é um grande sistema de falhas que percorre toda a extensão da cadeia montanhosa, com uma série de falhas menores aos lados.
Cidades como Perugia e Áquila estão localizadas em cima dessas falhas.
Agora, imagens de satélites que serão tiradas da região dos Apeninos nos próximos dias ajudarão a mapear a área do terremoto. Essas fotos serão comparadas a imagens espaciais anteriores ao tremor de terça, para que se possa avaliar qual foi o movimento das rochas.
Isso ajudará os cientistas a entender precisamente onde e como foi o atrito das placas tectônicas, informação que pode ajudar os especialistas a entender se todo o estresse do choque foi liberado ou se foi acumulado em placas próximas.
Histórico
Apesar de ser mais suscetível a terremotos, a Itália não sofria um tremor de grande intensidade havia quatro anos.
Em maio de 2012, dois abalos ─ de 5.8 e 6.1 de magnitude ─ atingiram o norte do país.
Mas o pior tremor a atingir a Itália recentemente aconteceu em Áquila, em 2009.
Naquele ano, um terremoto de 6.3 de magnitude arrasou a cidade, deixando mais de 300 mortos e outros 1,5 mil feridos. Outras 65 mil pessoas ficaram desabrigadas.
O de maior intensidade de que se tem registro no país ocorreu no início do século passado, em 1905, segundo o monitoramento americano. Foi quando 557 pessoas morreram após um tremor de 7.9 de magnitude atingir as comunas de Monteleone, Tropea e Nonte Poro.
Mas houve tremores ainda muito mais fatais. Um deles foi registrado em Nápoles, em 1980, com um saldo de 4.689 mortes.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

COMO CIENTISTAS DESCOBRIRAM QUE TUBARÃO DE 400 ANOS É VERTEBRADO MAIS VELHO DO MUNDO


Um Tubarão-da-Groenlândia se move lentamente pelas águas após receber um chip de pesquisa

Tubarões-da-Groenlândia são as criaturas vertebradas mais longevas do planeta, afirmam cientistas.
Pesquisadores usaram datação por radiocarbono para determinar as idades de 28 desses animais, e estimaram que uma fêmea morta recentemente tivesse cerca de 400 anos.
A equipe descobriu que esses tubarões crescem apenas 1 cm por ano, e alcançam a maturidade sexual aos 150 anos.
A pesquisa foi publicada na revista científica Science.
O principal autor, Julius Nielsen, biólogo marinho na Universidade de Copenhague, afirmou: "Sabíamos que estávamos lidando com um animal incomum, mas acho que todos na equipe ficaram muito surpresos de saber que são tão velhos."
O vertebrado que detinha o recorde de longevidade era uma baleia-da-Groenlândia (Balaena mysticetus) com idade estimada de 211 anos.
Se invertebrados entrassem nessa competição, o título ficaria com um molusco de 507 anos conhecido como Ming, que teria vivido de 1499 a 2006.
Nado lento
O Tubarão-da-Groenlândia (Somniosus microcephalus) é uma enorme criatura, que pode chegar a cinco metros de comprimento.
Eles podem ser encontrados, nadando lentamente, em águas geladas e profundas do Atlântico Norte.
Um tubarão perto da baía de Disko, no oeste da Groenlândia
Com ritmo vagaroso de vida e taxa lenta de crescimento, era esperado que esses tubarões vivessem por um longo tempo. Mas até agora era difícil determinar qualquer idade.
No caso de alguns peixes, cientistas conseguem examinar ossos do ouvido chamados otólitos, que quando seccionados revelam um padrão de anéis concêntricos que podem ser contados como os anéis das árvores.
Com tubarões essa tarefa é mais difícil, mas algumas espécies, como o grande tubarão-branco, têm um tecido calcificado que cresce em camadas em suas espinhas e pode ser usado para datar os animais.
"Mas o Tubarão-da-Groenlândia é um tubarão muito, muito macio - não tem partes rígidas no corpo onde camadas de crescimento se acumulam. Então acreditava-se que a idade não pudesse ser investigada", afirmou Nielsen à BBC.
A equipe, contudo, encontrou uma maneira inteligente de desvendar esse mistério.
Um Tubarão-da-Groenlândia após ser solto do navio de pesquisa
"A retina do Tubarão-da-Groenlândia é feita de um material especializado - e contém proteínas que são metabolicamente inertes", explicou Neilson.
"O que significa que depois que as proteínas são sintetizadas no organismo, elas não são renovadas novamente. Então podemos isolar esse tecido formado quando o tubarão era um bebê, e fazer a datação por radiocarbono."
A equipe analisou 28 tubarões, a maioria morta após ficar presa em redes de pesca.
Usando essa técnica, os pesquisadores estabeleceram que o maior tubarão - uma fêmea de cinco metros - era extremamente idosa.
Como a datação por radiocarbono não gera datas exatas, eles acreditam que essa fêmea possa ter morrido tão "jovem" como aos 272 anos ou tido 512 anos. Mas provavelmente ficou em algum lugar no meio, em cerca de 400 anos.
Isso significa que esse tubarão fêmea nasceu em algum ponto entre os anos de 1501 e 1744, mas a data provável foi no século 17.
"Até no limite inferior, 272 anos, mesmo se essa fosse a idade máxima, ainda seria o vertebrado mais longevo do planeta", disse Nielsen.
Aulas de conservação
A equipe do estudo acredita que esses tubarões apenas atinjam a maturidade sexual com quatro metros de comprimento. E esse novo e amplo escopo de idade sugere que isso não deva ocorrer até os animais atingirem cerca de 150 anos.
Os pesquisadores dizem que os achados trarão consequências para a preservação futura desses animais.
Um Tubarão-da-Groenlândia morto após ficar preso em redes de pesca
Como são muito velhos, os Tubarões-da-Groenlândia ainda podem estar se recuperando de um período de pesca excessiva após a Segunda Guerra Mundial.
Os fígados dos tubarões eram usados para óleo de máquinas, e eles foram caçados em grande escala até o desenvolvimento de uma alternativa sintética reduzir a demanda pelo animal.
"Quando você avalia a distribuição da espécie pelo Atlântico Norte, é bem raro ver fêmeas em idade reprodutiva, e mais raro ainda encontrar recém-nascidos ou indivíduos juvenis", afirmou Nielsen.
"Parece que a maioria é sub adulta. E isso faz sentido: se você teve toda essa pressão de pesca, todos os animais mais velhos não estão mais por aqui. E não há muitos indivíduos aptos a reproduzir. Ainda existe, porém, uma boa quantidade de 'adolescentes', mas ainda levará mais cem anos para se tornarem ativos sexualmente."
Esses tubarões alcançam a maturidade sexual apenas aos 150 anos