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sábado, 5 de março de 2016

POR QUE SÓ HUMANOS TÊM QUEIXO - E PARA QUE ELE SERVE?


Raio-x de crânio humano – Imagem Alamy

Todos nós temos um queixo. Alguns, especialmente no mundo do boxe, parecem ter uns menos resistentes que outros – procure a expressão “queixo de vidro”. Mas o que poucos sabem é explicar a razão pela qual essa parte do corpo existe. Muita gente deve coçar o queixo à procura de uma reposta.
O mais estranho é que, entre todos os primatas, incluindo ancestrais humanos já extintos, nós somos os únicos a ter queixos. A razão ainda permanece um mistério, mas há um número de teorias tentando explicar para que serve o queixo.
James Pampush, da Universidade Duke, nos EUA, há anos estuda essa parte do corpo. “Ninguém jamais ofereceu alguma boa explicação de porquê de humanos são os únicos animais com queixos”, conta o acadêmico.
Em termos científicos, o queixo é uma protuberância óssea que aparece em frente à mandíbula. Nos chimpanzés, por exemplo, as mandíbulas são inclinadas para dentro.
Único
Como dissemos antes, antepassados humanos tampouco tinham queixo e este é um dos sinais que ajudam cientistas a distinguir anatomicamente, por exemplo, um homem moderno de um Neandertal.
“Isso faz o surgimento de queixos ser tão interessante. Implica que houve alguma forma de alteração comportamental ou dietética que causou essa formação”, explica Zaneta Thayer, da Universidade do Colorado, outro acadêmico a estudar o queixo.
Há três teorias proeminentes que tentam explicar o queixo. Há muito tempo se propõe que a protuberância nos ajuda a mastigar. O osso extra aliviaria o estresse da mastigação. Mas essa ideia esbarra no fato de que outros grandes primatas, com mandíbulas de formato similar ao humano, não padecem deste problema.
Quando mastigamos, nossas mandíbulas são forçadas e, o quanto mais abertas elas estiverem, mais fracos ficam os ossos. Se fôssemos nos proteger do estresse de mastigar, precisaríamos de mais ossos na parede interna das mandíbulas perto da língua, não debaixo do osso.
Queixos são, de certa forma, inúteis – Imagem Alamy
É exatamente o que vemos em chimpanzés e macacos. Eles contam com um osso extra em sua mandíbula inferior, chamado de plataforma símia. O osso extra que forma nosso queixo não é muito útil para dar mais força mastigatória.
E Pampush acrescenta que humanos não têm muitos problemas para mastigar, já que a maior parte da comida que ingerimos é macia, em especial a cozida.
Flora Groening, da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, concorda. Há cinco anos, ela criou um modelo de computador para analisar a carga mecânica nas mandíbulas com e sem um queixo. “Não encontrei evidências claras para sustentar a tese de que o queixo é o resultado de um adaptação mecânica”, afirma.
Queixos não parecem ajudar na mastigação – Imagem Alamy
Outros cientistas alegam que o queixo nos ajuda a falar, e que nossa língua necessita de reforços ósseos abaixo de nossa mandíbula. Afinal, somos os primatas com o mais extensivo repertório oral.
O problema aqui é que não precisamos de muita força para falar, então é difícil entender por que o osso extra ajudaria no processo. E, se realmente precisássemos dessa ajuda, seria muito mais útil, assim como no caso da mastigação, que o osso estivesse no interior da mandíbula e próximo à língua.
Colateral
A terceira ideia é que o queixo não tem um função imediata, mas que foi escolhido por seleção sexual. Seria o nosso equivalente, por exemplo, aos chifres de alces, ou às faces largas de orangotangos - características que atraem o sexo oposto para acasalamento. Isso assegura sua presença em gerações futuras, mesmo que não haja benefício ou uso direto.
Essa teoria, segundo Pampush, também é acompanhada de uma dúvida. Em todos os outros mamíferos, apenas um dos sexos terá um traço sexual selecionado. Mas os queixos são encontrados tanto em homens quanto mulheres. “Se o queixo é uma adaptação para a seleção sexual, então somos o único mamífero que tem o mesmo nos dois gêneros”.
Chimpanzés não têm queixo, assim como todos os outros primatas – Imagem Alamy
Sendo assim, as três hipóteses mencionadas anteriormente falham em explicar plenamente o surgimento do queixo. “Quem disser saber por que está mentindo”, diz Pampush.
Mas se examinarmos o problema de uma outra maneira, talvez fique um pouco mais aparente como o queixo se posicionou de forma tão proeminente em nossas faces, apesar de não ter uso funcional. Ele pode ser simplesmente um traço não-adaptativo, que surge com produto secundário de um novo processo.
Essa foi a ideia sugerida em 1979 pelos biólogos Stehphen J. Gould e Richard Lewontin. Eles dizem que o queixo é o que arquitetos chamam de tímpano – peças que auxiliam na sustentação de domos de igrejas, por exemplo.
As faces do homo sapiens são menores que a de antepassados e isso pode ter colocado o queixo à mostra, segundo Nathan Holton, da Universidade de Iowa. Para ele, o queixo pode ser um “efeito colateral” da redução de nossos crânios.
Nossa mandíbulas, por exemplo, são menos robustas que as de antepassados hominídeos já extintos. Quando nossos ancestrais descobriram o fogo e aprenderam a cozinhar, eles não mais precisavam de mandíbulas que mastigassem tão forte.
Outras coisas também mudaram: temos uma testa menos protuberante e um ponto oco abaixo de nossas bochechas. “A presença do queixo é provavelmente parte dessa tendência também. Entender por que temos queixos é explicar por que faces humanas encolheram”.
Groening também favorece essa ideia e diz que o surgimento do queixo pode ter ajudado a manter alguma da força que nossas mandíbulas anteriores um dia tiveram. “Neandertais e o homo erectus tinham mandíbulas robustas e não precisavam de ossos mais grossos na região do queixo”.
Em contrapartida, humanos modernos têm ossos mais delicados. “Um queixo pode oferecer resistência extra para manter uma certa força mecânica, mas não aumenta a força”.
Antepassados dos humanos não tinham queixo – Imagem Alamy
Se nenhuma das teorias parece satisfatória e não podemos provar a hipótese de que o queixo surgiu como uma evolução colateral, alguém pode perguntar a Pampush por que ele estuda o queixo humano há tanto tempo.
A resposta é simples: embora sejam estranhos, estudar queixos ajuda a localizar os processos evolucionários que nos fizeram o que somos hoje. E também ajuda a expor o trabalho da evolução.
E é também muito raro encontrar um traço evolucionário exclusivamente humano. Muitos dos que temos são compartilhados por outros animais. O queixo, no entanto, é único. E olhar para ele pode nos ajudas a entender outro passo que nos levou a ser o que somos.
Leia a versão original (em inglês).

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