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terça-feira, 29 de março de 2016

CIENTISTAS ENCONTRAM PISTAS PARA EXPLICAR EXTINÇÃO DE “DRAGÕES DO MAR”


Cientistas afirmam que o ictiossauro evoluiu muito lentamente e, quando o ambiente mudou, ele não conseguiu acompanhar.

Um novo estudo de cientistas britânicos, belgas, franceses e russos sugere que uma mudança dramática no clima da Terra foi responsável pela extinção de um réptil marinho que viveu na época dos dinossauros.
Há cerca de 100 milhões de anos os oceanos esquentaram, o gelo polar derreteu e o nível dos mares aumentou de forma inédita.
Segundo os cientistas o ictiossauro, também conhecido como "peixe lagarto" ou "dragão dos mares", não conseguiu se adaptar às novas condições nos mares.
A pesquisa adiciona um último dado surpreendente para desvendar o mistério de como e por que este predador desapareceu.
"Nossos resultados fortalecem as evidências de que o aumento no nível dos mares e na temperatura dos mares reorganizou profundamente os ecossistemas marinhos há cerca de 100 milhões de anos", disse Valentin Fischer, da Universidade de Liège, na Bélgica, e também da Universidade de Oxford, que liderou a pesquisa.
"O ictiossauro não conseguiu se adaptar. Eles evoluíram muito lentamente nos últimos 50 milhões de anos de sua existência. Quando o ambiente mudou rapidamente, eles não conseguiram acompanhar", acrescentou.
Família
Na época em que os dinossauros viviam na Terra, os oceanos eram o lar de vários tipos de ictiossauro.
Estes predadores marinhos tinham um corpo parecido com o do golfinho, o que dava ao ictiossauro velocidade e permitia que ele se alimentasse de peixes e lulas.
O ictiossauro viveu durante milhões de anos. Eles apareceram no período Triássico, chegaram ao auge no Jurássico e então desapareceram no Cretáceo, vários milhões de anos antes da morte dos últimos dinossauros.
Teorias anteriores sobre o desaparecimento do ictiossauro se concentraram mais nos alimentos preferidos da criatura, que podem ter desaparecido dos oceanos à medida que outros animais, como tubarões e outros peixes vertebrados, começaram a surgir.
Mas depois de elaborar uma árvore genealógica complexa traçando a evolução dos ictiossauros, os cientistas desta última pesquisa concluíram que a falta de alimento teria sido apenas um entre vários fatores ligados à extinção do animal.
"Embora o aumento nas temperaturas e no nível dos mares demonstrado em registros geológicos no mundo todo pode não ter afetado diretamente os ictiossauros, fatores relacionados como mudanças na disponibilidade de comida, rotas migratórias, animais rivais e locais de nascimento são fatores potenciais, provavelmente ocorrendo juntos, que levaram à extinção do ictiossauro", disse Fischer.
Efeito estufa
David Martill, pesquisador da Universidade de Portsmouth, na Grã-Bretanha, não participou do estudo, mas ao analisar a pesquisa disse concordar que a mudança para um mundo mais quente - como uma "superestufa" - pode ter tido um impacto enorme nos habitats de animais terrestres e aquáticos.
O ictiossauro dividia os oceanos com outros grupos numerosos de répteis marinhos de grande porte como plesiossauro e mosassauro. Mas o ictiossauro conseguiu viver mais tempo do que estes dois últimos.
"Eles (os ictiossauros) só desapareceram junto com muitos outros animais. Há um mistério nisto. Acho que ainda é um enigma", afirmou Martill.
Mary Anning descobriu o primeiro fóssil completo do ictiossauro na região de Dorset no século XIX, as mulheres eram ainda discriminadas, sobretudo as das classes pobres.
A famosa caçadora britânica de fósseis do século 19 Mary Anning descobriu o primeiro fóssil completo do ictiossauro na região de Dorset em 1810.
Mary Anning” descobriu o primeiro fóssil de ictiossauro, quando tinha 12 anos, junto à costa de Dorset, que se encontrava incrustado num íngreme penhasco.
O fóssil de ictiossauro media 5 metros de comprimento.
A descoberta de Anning causou grande surpresa no mundo científico da época e forneceu provas para novas ideias a respeito da história da Terra.

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