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quarta-feira, 16 de março de 2016

INVASÃO DE SAPOS VENENOSOS DESAFIA ECOLOGISTAS EM ILHA AFRICANA


Os sapos asiáticos podem ter chegado em contêineres de navegação. Imagem jamesreardon.org


Ninguém sabe ao certo como ou quando eles chegaram. Mas, nos últimos anos, milhões de sapos venenosos se tornaram um praga na região leste de Madagascar.
Os sapos asiáticos (Duttaphrynus melanostictus) provavelmente foram trazidos para a ilha africana a bordo de contêineres de navegação, entre 2007 e 2010, e sua população se expandiu rapidamente, atingindo quase 4 milhões atualmente.
Espécie alienígena, os sapos ameaçam a raríssima fauna local, incluindo centenas de tipos nativos de anfíbios. Mas são também uma ameaça para humanos – se ingerida, a carne desses sapos pode ser fatal.
Um recente estudo científico pediu esforços urgentes para evitar o que cientistas classificam como uma catástrofe ambiental. Por esforços, entenda-se o controle populacional e o extermínio da população alienígena do Duttaphrynus melanostictus.
Justamente por estar separada fisicamente da África, a ilha de Madagascar é o lar de uma série de criaturas que não podem ser encontradas em qualquer outro lugar do mundo. Elas incluem 106 espécies de lêmures, muitos em números extremamente raros. É também lar de plantas para lá de exóticas.
Biodiversidade
Mas o aumento da população de sapos asiáticos pode comprometer a biodiversidade da região.
“Os sapos perturbam a cadeia alimentar e causam diminuições nas populações de predadores e presas nativas que podem chegar à extinção”, afirma Christian Randrianantoandro, biólogo da Madagasikara Voakajy, uma ONG ambiental da ilha.
Parte dos esforços consiste em simplesmente "colher" sapos
Predadores que se alimentam de batráquios podem ser envenenados pelos sapos. Cobras, gaviões e o fossa, um felino único de Madagascar, estão entre os animais ameaçados.
“Os sapos têm a capacidade de ocupar a maioria das áreas de Madagascar e são uma ameaça seríssima. Esperamos confrontos populacionais”, diz Cristopher Raxworthy, pesquisador do Museu Americano de História Natural.
Felizmente, os sapos ainda não expandiram dramaticamente seu território. Atualmente, ocupam uma área de 110 km quadrados, equivalente a um quinto da ilha. Se a erradicação começar agora, os Duttaphrynus melanostictus ainda poderão ser contidos. Caso contrário, segundo a ONG ambiental, o impacto poderá ser irreversível.
Isso porque os sapos poderão explorar a longa rede de rios e canais conhecida como Sistema de Pangalanes, o que tornará a erradicação praticamente impossível por causa da velocidade com que os bichos poderão se deslocar para outras áreas de Madagascar.
Há várias maneiras de se livrar dos anfíbios, incluindo a coleta manual, um processo que já está sendo testado. O problema é que eles não são facilmente localizáveis. Outra opção é espalhar uma solução ácida nos locais em que vivem, o que pode matar os sapos em 24 horas.
“É um produto disponível na ilha e que tem a mesma concentração de suco de limão. Ou seja: não é tóxico para o meio ambiente”, explica Raxworthy.
Algumas espécies de lêmures são exclusivas de Madagascar
Outros métodos incluem armadilhas para girinos e o uso de cães farejadores. “Parece louco, mas você pode treinar cães para farejar sapos”, completa o pesquisador americano. Mas a erradicação precisa continuar em larga escala. E rápido.
Conservacionistas recentemente cercaram uma área para capturar sapos e, em duas semanas capturaram 1200 espécimes. Porém, uma fêmea da espécie invasora é capaz de por cerca de 400 mil ovos por ano. Isso significa que as populações podem se expandir rapidamente.
“O impacto (desses sapos) na biodiversidade de Madagascar pode ser dramático e de cortar o coração. Gerações futuras ficarão furiosas conosco se não fizemos um esforço de erradicação enquanto pudermos”, opina Raxworthy.
Cientistas vêm tentando conseguir recursos junto aos donos da Mina de Ambatovy, uma das maiores do mundo em extração de níquel. O motivo? Os anfíbios começaram a ser vistos em Madagascar ao mesmo tempo em que teve início a construção de uma unidade de processamento de minério ligada à mina. Os sapos também passaram a ser encontrados na mina a partir de 2011. Mas não está certo se há uma relação direta com a chegada dos anfíbios.
 “O perfil genético dos sapos de Madagascar é parecido ao de populações conhecidas no Vietnã, Camboja e Tailândia. E uma das empresas que construiu a usina é tailandesa”, acusa o pesquisador americano.
População invasora é estimada em 4 milhões de espécimes. Imagem jamesreardon.org
“Não podemos provar, mas tudo indica que foi essa empresa que acidentalmente trouxe os sapos. Queremos colocar os donos da mina sob pressão para que eles contribuam de forma significativa para a erradicação dos sapos”.
Em comunicado enviado à BBC Earth, a empresa Sherritt International Corporation, uma das donas da usina, disse estar cooperando com os esforços de erradicação e desenvolvendo seu próprio programa nas suas instalações.
No entanto, a empresa não endossa a teoria de que os sapos chegaram à ilha por causa da construção da usina – argumentam que o Porto de Toamasina, o principal de Madagascar, recebe muito mais contêineres por ano.
“No período em que se acredita que os sapos tenham chegado, a mina de Ambatovy respondeu por apenas 5% do tráfego de contêineres do porto”, disse o comunicado.
No entanto, cientistas afirmam que a distribuição geográfica dos sapos sugere que eles não escaparam no porto. A região de Madagascar em que eles estão concentrados não apenas está mais distante do porto, como a mina é a principal atividade econômica do local.
“Claro que outros importadores podem ter trazido os sapos, mas a mina é maior do que qualquer outra coisa acontecendo na área em que eles estão”, diz Raxworthy.
Leia a versão original dessa reportagem (em inglês) no site BBC Earth

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