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terça-feira, 1 de março de 2016

O ARQUIPÉLAGO ESCOCÊS QUE REESCREVE A HISTÓRIA DA IDADE DA PEDRA


Quintal de fazendeiros escondia tesouro arqueológico

Quando os donos da fazenda Brodgar quiseram retirar de seu terreno uma imensa pedra entalhada e que atrapalhava os planos de semear um campo, em 2003, eles já sabiam de que não se tratava de algo ordinário. Dada a localização das terras, não surpreendeu o fato de o objeto ser muito, muito antigo.
Ainda assim, nem os proprietários da fazenda nem os cientistas estavam preparados para a magnitude da descoberta. Com a palavra, o arqueólogo Nick Card: “Não acredito que alguém pudesse esperar o que encontraríamos. Estamos basicamente reescrevendo a pré-história”.
A fazenda Brogdar, agora mais conhecida pelo nome de Ness of Brodgar, fica no arquipélago de Orkney, a cerca de 50km da Costa Norte da Escócia.
Em uma colina a menos de 2km de distância fica o Círculo de Brodgar, composto por pedras erguidas há cerca de 4500 anos, na mesma época em que o conhecidíssimo Stonehenge, no Sul da Inglaterra. Praticamente na mesma distância, em outra direção de Brodgar Farm, ficam as Pedras de Stenness, erguidas dois séculos antes disso.
Roda
E não para por aí. A região conta ainda com o Assentamento de Barnhouse, os vestígios de uma aldeia fundada há mais de 5 mil anos; Maeshowe é um dos mais espetaculares mausoléus pré-históricos da Europa, e que ficou esquecido entre 3 mil antes de Cristo e o anos de 1153 d.C., quando foi redescoberto pelos vikings. Há ainda pelo menos uma dúzia de outros cemitérios pré-históricos, sem falar em Skara Brae, uma das mais bem preservadas aldeias pré-históricas do continente.
Mas é o Ness of Brodgar que anda atraindo as atenções dos estudiosos: debaixo de seu quintal, os donos da fazenda encontraram um imenso complexo cerimonial do tamanho de quatro campos de futebol, que está mudando nosso conhecimento sobre os povos que caminharam sobre a Terra há mais 5 mil anos.
Para apreciar o Ness, porém, é fundamental visitar o Círculo de Brodgar: as 26 pedras ainda eretas (eram 60 originalmente) podem explicar a razão de o complexo cerimonial ter existido.
O Círculo de Brodgar tem pedras trazidas por meios ainda desconhecidos
O círculo tem 104 metros de largura, ocupando o topo de uma colina, cercado de hortênsias roxas. É fácil esquecer que essa visão serena é o resultado de trabalhos hercúleos e que exigiram muita cooperação e genialidade. Cada uma das pedras, que medem até 4,5m de altura, foi trazida de pedreiras distantes até 15 km do local.
Para se ter uma ideia do tamanho da empreitada, a mais antiga roda já encontrada em solo britânico data de 1100 a.C., pelo menos 600 anos depois da época da criação do Ness. As pedras demarcam uma espécie de fosso que mede 9 metros de largura e foi escavado em 3m de rocha. Tudo isso sem o uso de metal.
Trata-se da terceira maior estrutura do período neolítico existente no Reino Unido. Especialistas calculam que o Círculo de Brodgar tenha exigido 80 mil horas de trabalho para ficar pronto.
Ninguém sabe ao certo porque o círculo foi construído, mas um dos segredos pode estar no caminho que percorre o fosso, como uma espécie de acesso. Por anos a fio ninguém conseguiu entender razão da existência deste caminho. Até que os fazendeiros de Brodgar retiraram do lugar a pedra entalhada. O Ness já teria sido usado por pelo menos mil anos antes da construção do círculo, mas os dois sítios estão relacionados tanto pela geografia quanto o propósito.
Arqueólogos passam dois meses por ano em escavações do Ness. Para visitantes, parece uma imensa obra em construção, como se diversos edifícios estivessem sido construídos com pedras. E com jeito: as paredes de uma das estruturas tinham espessura de 4 metros e os cantos tinham sido erguidos em ângulos retos. Cada pedra parecia interagir perfeitamente com a outra.
Skara Brae é uma das cidades neolíticas mais bem preservadas da Europa
A diferença é que o sítio, em vez de construção, passava por um processo de escavação. E a obra sendo revelada ao mundo tinha ocorrido há pelo menos 5,5 mil anos, antes da invenção de argamassa, gesso, machados, metal ou mesmo capacetes de segurança.
Arqueólogos sabem há bastante tempo que os povos neolíticos não viviam em uma espécie de versão da vida real do mundo dos Flintstones. Skara Brae é um exemplo: o vilarejo de 5 mil anos tinha casas com isolamento térmico e móveis embutidos de pedra, além de camas que seriam forradas com peles de animais e plantas. Havia até versões mais rudimentares de banheiros.
Banquete
“Eles não eram tão diferentes de nós assim. Eram às vezes até mais inventivos”, diz Nick Card. “Quando muitas pessoas pensam na Idade da Pedra, elas imaginam um estilo de vida bem simplório. Mas a sociedade neolítica pode ter sido relativamente semelhante à nossa em termos de dinamismo e complexidade”.
O Ness parece aprofundar essa noção. O tamanho e a complexidade da construção são diferentes de tudo o que já foi encontrado na Europa até agora. O edifício principal, apelidado de “Catedral”, tinha uma área de 465 metros quadrados e o Ness estava cercado por um muralha de mais de 360 metros de comprimento. E os edifícios estão distribuídos de forma cuidadosamente metódica.
Casas já contavam com mobiliário - algumas até com banheiros
O tamanho e a complexidade do Ness não são as únicas razões por que estão forçando uma mudança nos conceitos sobre a pré-história. Anteriormente, o primeiro telhado de ardósia encontrado datava do século 13, no País de Gales. O problema é que este tipo de cobertura existia também em Orkney na Idade da Pedra. O Ness também contava com algumas das mais velhas paredes pintadas da Europa, sem falar nas primeiras evidências de cerâmica colorida.
Por sinal, mais de 700 exemplos da arte neolítica, mais do que o que há foi encontrado em todo o Reino Unido, surgiram nas escavações do Ness. E pensar que o Ness sequer era um assentamento permanente: por mais de 1300 anos ele foi usado apenas periodicamente, não raramente para festas: arqueólogos encontraram ossos de pelo menos cabeças de gado, datados de 2300 a.C., o que sugere um senhor banquete quando se pode considerar que uma vaca alimenta 200 pessoas.
Remota nos dias de hoje, Orkney era um dos centros da civilização neolítica na Europa
Por que as pessoas saiam do Ness é um mistério. Mas o que parece ser a cerimônia final – o tal banquete – sugere que o local tinha uma função ritual, com fiéis vindo de várias partes distantes.
Mas os níveis de organização e cooperação exigidos eram enormes. Imaginem só organizar uma festa para 80 mil pessoas em uma época em que não havia sequer escrita, o que dirá telefone ou internet. Por isso é que o Ness não apenas desafia noções sobre como os povos neolíticos construíam, mas também sua própria dinâmica social. Para alguns especialistas, isso pode ser um sinal de que Orkney não foi apenas um centro da civilização neolítica no Reino Unido, mas sim o grande centro dela.
As 70 ilhas que formam o arquipélago estão distantes o suficiente para ficarem longe das atenções do grande público. Mas, no passado, elas ditaram o ritmo da civilização neolítica no Reino Unido, inclusive com inovações tecnológicas e culturais.
Fonte: BBC Travel.

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