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quarta-feira, 27 de abril de 2016

A VIDA SELVAGEM EM TORNO DE CHERNOBYL TRINTA ANOS APÓS A TRAGÉDIA


Vegetação reocupou espaços deixados por casas abandonadas nos arredores de Chernobyl

Há 30 anos, um experimento em um reator em Chernobyl, na Ucrânia, resultou no maior desastre nuclear do mundo.
A radiação se espalhou pelo entorno da usina e, poucas semanas depois, centenas de milhares de pessoas tiveram que deixar suas casas em uma zona de exclusão em um raio de 30 quilômetros do local.
Até hoje, a região continua praticamente desabitada. Mas isso não quer dizer sem vida: por incrível que pareça, a vida selvagem está prosperando.
A questão que intriga os cientistas é: será que o meio ambiente consegue fazer face a uma catástrofe natural da escala de Chernobyl?
Rápida recuperação
O raro cavalo-de-przewalski pode ser encontrado vivendo na zona de exclusão de Chernobyl
Não há dúvidas de que os efeitos imediatos do acidente foram devastadores. Em uma área de bosque que se estendia por até 5 quilômetros quadrados, muitas árvores coníferas morreram. As folhas adquiriram uma cor de ferrugem, fazendo com que a região passasse a ser chamada de Floresta Vermelha.
"No primeiro ano após a tragédia, boa parte dos invertebrados terrestres morreram e a população de pequenos mamíferos despencou", afirma Nick Beresford, do Centro de Ecologia e Hidrologia de Lancaster, na Grã-Bretanha.
Mas em grandes áreas da zona de exclusão, os níveis de radiação caíram drasticamente em poucos meses, segundo Jim Smith, da Universidade de Portsmouth, também na Grã-Bretanha. A vida selvagem começou a se recuperar, aproveitando-se da ausência de seres humanos.
Não se sabe exatamente como e quando essa recuperação teve início. Na época, a Cortina de Ferro ainda separava o Leste Europeu do Ocidente, e a região de Chernobyl só podia ser visitada por cientistas soviéticos.
Pequenos mamíferos, como o javali, seriam mais populosos hoje do que antes da tragédia
Apesar de o foco inicial ser a exposição dos habitantes à radiação, pesquisadores locais começaram a fazer o monitoramento aéreo de três espécies selvagens: o alce, a corça e o javali.
A pesquisa mostrou um lento mas estável aumento na abundância das três espécies. "Apesar de as contagens serem anuais e não cobrirem toda a região, ela sugere que, um ou dois anos depois do acidente, as populações começaram a se recuperar."
Lobos, linces e urso
Pesquisadores flagraram até um urso pardo habitando a região em torno da usina nuclear
Em meados dos anos 90, uma equipe de biólogos americanos e ucranianos se lançou em um estudo mais aprofundado e próximo dos mamíferos da zona de exclusão de Chernobyl.
Eles conseguiram coletar uma variedade de ratos-do-campo, camundongos e musaranhos, e descobriram que a ocorrência e a diversidade de espécies era praticamente idêntica dentro e fora da área delimitada. Ou seja: dez anos após o desastre, as populações de pequenos mamíferos não apresentavam sinais aparentes dos efeitos da radiação.
No ano passado, Smith e colegas em Belarus, Rússia, Alemanha e Grã-Bretanha publicaram os resultados do estudo mais aprofundado já realizado sobre o assunto. Novamente, a conclusão foi de que a radiação teve um impacto limitado na vida selvagem da região.
Os cientistas descobriram ainda que certas espécies, como os lobos, estão sobrevivendo em melhores condições em torno de Chernobyl do que em outras reservas naturais do Leste Europeu – a população na zona de exclusão é até sete vezes maior do que em outras partes do continente.
A equipe de Beresford também divulgou resultados animadores. Eles instalaram câmeras disparadas por sensores de movimento na zona de exclusão e descobriram indícios de uma ocorrência extraordinária de espécies: castores, texugos, linces, bisões e até mesmo um urso pardo.
Impacto contestado
Trinta anos após a tragédia, cientistas ainda discordam sobre o impacto da radiação na natureza local
Mas nem toda a comunidade científica está de acordo em relação às atuais condições da vida selvagem em torno de Chernobyl.
Anders Moller, da Universidade de Paris-Sud, e Timothy Mousseau, da Universidade da Carolina do Sul, por exemplo, chegaram a conclusões bem diferentes nos 15 anos que passaram estudando a região.
"Em quase todos os casos, há um sinal claro dos efeitos negativos da radiação nas populações selvagens. Até mesmo o canto do cuco mudou", enfatiza Mousseau.
Os dois cientistas também divulgaram estudos que sugerem que a ocorrência de mamíferos é menor nos locais onde a radiação é maior, assim como a de insetos e aranhas.
"Essas e outras pesquisas mostram que há consequências genéticas mensuráveis decorrentes da exposição a uma baixa radiação, seja em danos aos cromossomos ou em taxas mais altas de mutações", explica Mousseau.
Mas nem todos os cientistas concordam com a opinião desses dois estudiosos.
A polêmica significa que, no 30º aniversário da tragédia em Chernobyl, há duas visões bastante distintas sobre seu legado.
O assunto é importante porque, para entenderem como manejar a zona de exclusão, os cientistas precisam saber como a natureza está respondendo aos efeitos da radiação.
Com esse objetivo, novos estudos estão sendo realizados na região, com uma ênfase em envolver tanto especialistas em radiação como biólogos.

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