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sábado, 6 de julho de 2013

AMANITA MUSCARIA - O COGUMELO QUE INSPIROU ZÉ RAMALHO



O que é o Amanita Muscaria ?
Amanita muscaria
O “Mata moscas” (Amanita muscaria) é uma das espécies de cogumelos que crescem na natureza em quase todo o hemisfério norte. Cresce em simbiose com árvores como o vidoeiro, o pinheiro ou o abeto, tanto na Europa como na América. Estes cogumelos são conhecidos pela sua aparência distinta: são vermelhos ou amarelos com pintas brancas. O mata moscas está listado como venenoso na maioria das fontes micológicas, e o seu uso psicodélico não é comum devido a relatórios de experiências iniciais, onde os efeitos do cogumelo variavam de pessoa para pessoa e por vezes na mesma pessoa. Os cogumelos variam em potência, sendo por vezes eficazes e outras vezes não. Todavia têm sido usados tradicionalmente por várias culturas. O mata das moscas contém os químicos psicoativos ácido ibotênico e muscimol. Este cogumelo chama-se mata moscas devido ao seu uso tradicional, quando misturado com leite, para afastar as moscas.
O Cogumelo que inspirou Zé Ramalho
Zé Ramalho - Eu descrevo na música uma parte dessa experiência: "Amanita matutina / E que transparente cortina ao meu redor" [canta]. Amanita é nome científico dos cogumelos. Quando senti isso, eu estava numa fazenda linda, pasto maravilhoso. Sensação de liberdade – "Transparente cortina ao meu redor" [recita]. Era como se fosse a aurora boreal. Seu olho fica muito preciso. Todas essas coisas estão muito presentes na música: o encantamento, a espiritualidade que as pessoas sentem de imediato. "Avôhai" é minha única música que posso dizer que teve uma espécie de mediunidade envolvida. Porque eu não pensei nela, ela me foi soprada: "Avôhai... Avôhai..." [sussurra]. E a forma como a letra veio, veloz. Depois, voltando pra casa, nessas ondas de psicodelia, num retrato da parede tinha a imagem de uma pedra de turmalina. Saiu a letra todinha: "O Velho cruza a soleira" – "Avôhai, avô e pai". Escrevendo os acordes sem parar, eu sabia pra onde ir, cara. Foi de uma rapidez impressionante e nunca mais aconteceu algo parecido em minha vida. O que é "Avôhai"? Por toda a minha vida, eu tenho que responder essa pergunta quase semanalmente. Tenho o maior prazer em falar sobre isso. Nunca me cansarei.
História :
10.000-0 AC: O livro Rig Veda (uma série de histórias sagradas e de encantamentos da Índia), menciona um intoxicante mágico chamado Soma. Em 1968, R. Gordon Wasson publica um livro controverso intitulado “Soma: O Cogumelo Divino da Imortalidade”, onde especula que Soma se refere ao mata moscas.
4000 AC: Análises linguísticas sugerem que o mata moscas era conhecido como substância intoxicante.
2000-1000 AC: Petroglífos ao longo do rio Pegtymel, que desagua no oceano Ártico no nordeste da Sibéria, "representam figuras antropomórficas com cogumelos anexados às suas cabeças". A área do rio Pegtymel é hoje em dia habitada pela cultura Chukchi, conhecida por ter usado o mata moscas como substância inebriante.
100 DC: Uma estatueta em miniatura (7.5 cm) de um mata moscas, datada de 100 DC e encontrada em Nayarit, no México, sugere que o mata moscas pode ter sido usado no litoral mexicano. Muitas outras esculturas da América Central e do Sul representam o uso ritual de outras plantas e cogumelos psicoativos.
0-1800 DC: Alguns historiadores escandinavos acreditam que os guerreiros vikings Bezerks ingeriam o mata moscas antes das batalhas.
1658 DC: Um prisioneiro de guerra polaco escreve sobre uma cultura do oeste siberiano (os Ob-Ugrian Ostyak, da região Irtysh) que "Eles comem certos fungos com a forma de mata moscas, e por isso ficam mais embriagados que com vodca, e para eles essa é a melhor festa" – em "Diary of Muscovite Captivity", de Kamiensky Dluzyk, publicado em 1874, página 382.
1730: Um coronel sueco, Filip Johann von Strahlenberg, que passou 12 anos na Sibéria como prisioneiro de guerra, escreve um livro intitulado "An Historico-Geographical Description of the North and Eastern Parts of Europe and Asia", que inclui uma descrição detalhada da prática de ingestão da urina daqueles que comeram os cogumelos, de modo a reciclar os ingredientes psicoativos.
1960-1965: O uso do mata moscas aparece nas subculturas urbanas dos Estados Unidos, mas permanece raro pois muitos utilizadores reportam que os efeitos são desagradáveis.
 

Botânica :
"O mata moscas cresce por toda a Europa e norte da Ásia e no oeste do Alasca. É um dos cogumelos do género Amanita mais facilmente (frequentemente) introduzidos com árvores importadas, por exemplo com plantações de pinheiros e eucaliptos. Parece ser capaz de crescer com muitos gêneros de plantas. A espécie associa-se sobretudo ao vidoeiro e a várias coníferas, mas também se encontra em florestas mistas com outras árvores, em puras florestas de tílias (na Noruega), com o salgueiro rastejante (Salix repens) na ilha de Terschelling (na Holanda), e adaptou-se a viver com eucaliptos na Austrália e na Argentina " (R. E. Tulloss).
A sua capa tem 5-30 cm de diâmetro e a sua cor varia do vermelho vivo ao vermelho escuro, com um véu branco universal. Este véu universal cobre totalmente os cogumelos mais novos, forma protuberâncias ou pontos brancos nos cogumelos adultos, e pode eventualmente desaparecer com a idade. Estes pontos normalmente formam círculos concêntricos, embora também possam aparecer ao acaso. A cor pode desbotar drasticamente com a idade, especialmente se estiver diretamente exposto à luz solar ou após muita chuva.
Química :
Os constituintes enteógenicos do mata moscas são o ácido ibotênico e possivelmente a muscazona (Ott). O muscimol parece ser o principal intoxicante. Após a ingestão, uma pequena quantidade de ácido ibotênico descarboxila em muscimol, o que produz a intoxicação. Tomado oralmente, o ácido ibotênico é enteogenicamente ativo com 50-100 mg (Ott e Stafford). Tomado oralmente, o muscimol apresenta atividade com 10-15 mg.
Efeitos :
Segundo Johnathan Ott, "Os efeitos do mata moscas são distintamente diferentes dos da psilocibina, do LSD, ou da mescalina. Caracterizam-se por movimentos ondulantes no campo da visão, uma qualidade “viva” nos objetos inanimados, alucinações auditivas, e uma sensação de grande estabilidade e clareza mentais. Euforia, ataxia, e alterações sensoriais são habituais, sobretudo alterações na audição e no sabor. Efeitos visuais também se reportaram, assim como náuseas. O mata moscas pode também produzir sintomas colinérgicos tais como “salivação profusa e transpiração ligeira”.
Uma das características principais do mata moscas é ter efeitos inesperados. Uma vez ingerido o cogumelo, o efeito tanto pode levar-te ao céu como ao inferno. Por isso, deves estar absolutamente seguro da tua decisão ao tomares este cogumelo, e de preferência teres alguma experiência com substâncias enteogênicas. Todavia, o processo de secagem é muito importante para teres a certeza de que o cogumelo produz qualquer efeito: este processo transforma o ácido ibotênico em muscimol, multiplicando a potência por 5 ou 6, e reduzindo os efeitos secundários prejudiciais".
Especialmente na Califórnia do norte, muitas pessoas afirmam que os cogumelos são fracos ou têm efeitos muito mais físicos do que mentais que os cogumelos “melhores” do norte da Europa e da Sibéria.
Uso Medicinal :
O mata moscas sagrado têm sido usado tradicionalmente por xamãs para tratamentos espirituais e físicos. Os utilizadores ocidentais relatam uma analgesia significativa como um dos principais efeitos da ingestão do cogumelo. Segundo a sabedoria médica tradicional de Kamchatkan, na Rússia, três pedaços pequenos de “mukhomor” (nome russo do mata moscas), ao serem comidos, dão um bom remédio para as dores de garganta.
Variedades :
Existem extratos de mata moscas. Uma dose de extrato 10x é dez vezes mais forte que uma dose normal de cogumelos secos. Devido à sua textura delicada, é mais fácil tomares uma dose específica em vez de tentares descobrir quantas cabeças de cogumelos secos deves tomar.
Uso :
Estes cogumelos são normalmente comidos (e diz-se que o sabor é bastante bom). Secá-los bem é muito importante, mas se já foram secados há alguns meses perdem alguma potência. Fumar mata moscas tem dado resultados satisfatórios: produz um efeito mais rápido, de duração mais curta. Mas, em geral, os efeitos quando fumados são menos fortes. "Se secar o teu cogumelo podes simplesmente comê-lo, ou então usar o método de preparação com água quente, deixando a água quase ferver, sem borbulhar, a cerca de 190 graus, e juntar-lhe os cogumelos. Deixa-os cozer na água durante cerca de meia hora, e depois consome a água e os cogumelos. Para aqueles que não suportam o sabor dos cogumelos secos ou do chá, o método das cápsulas de gelatina pode funcionar melhor. Simplesmente mói os cogumelos secos, e enche as cápsulas de gelatina vazias. Como a maioria dos alcaloides residem logo abaixo da pele das cabeças, pode valer a pena tentares descascar a cabeça dos cogumelos frescos e secá-la, ou então removeres as guelras (parte por baixo da cabeça) dos cogumelos secos, para reduzires a quantidade a consumir" (Michael S. Smith).
Dose: 5 gramas ou menos de cogumelos secos é um bom ponto de partida, que pode ser gradualmente aumentado de acordo com os teus desejos. Considera-se que uma dose normal são 5 - 10 gramas (1 - 3 cabeças médias) e uma dose forte 10 - 30 gramas (2 - 6 cabeças médias). Normalmente os primeiros efeitos podem sentir-se durante a primeira meia hora e variam de pessoa para pessoa, mas o aumento da dose é aconselhável apenas quando se atinge a totalidade dos efeitos, cerca de 2 horas após a ingestão. A duração da trip é entre 4 a 10 horas.
Avisos :
Devido aos seus efeitos imprevisíveis e à sua potência altamente variável, não se recomenda que tomes o mata moscas se não tens qualquer experiência com cogumelos psicoativos. Existem muitas espécies de cogumelos do gênero Amanita que não são psicoativos. Alguns são venenosos (e mortais) e outros comestíveis. Têm todos um aspecto semelhante ao mata moscas, por isso quando decidires consumir estes cogumelos deves ter a certeza absoluta que tens o cogumelo certo.
Assim como com outras substâncias enteogênias, toda a gente reage de maneira diferente à ingestão do mata moscas. Estes cogumelos podem ser ainda mais variáveis em efeito devido a que cada corpo metaboliza o ácido ibotênico em muscimol de maneira diferente. Muitas pessoas não apreciam os efeitos do mata moscas.
Contra-Indicação :
Os efeitos secundários incluem náuseas, ligeira perda de equilíbrio e de coordenação, e sonolência.
Cultivo :
"O cultivo do mata moscas em laboratório foi sempre impossível devido à relação simbiótica de micorrizas do cogumelo com a planta que o suporta. Mas se tiveres as plantas necessárias na sua área, e residires na zona temperada ou elevação necessária, podes tentar usar algumas cabeças secas que estejam prontas para soltarem os esporos (completamente direitas ou viradas para cima, com cortes longitudinais ao longo das estrias), mói-as muito bem, e mistura os farelos à parte de cima da terra. Espera que pegue. Se não quiseres desperdiçar as cabeças secas, corta os caules de espécimes prontos para soltarem os esporos, que terão naturalmente recolhido alguns dos esporos que já caíram, e mistura na terra. Segundo o Erowid, o crescimento do micélio dá-se sobretudo durante os meses da primavera e do verão, e depende grandemente da chuva e da umidade do solo que precede o florescimento no outono. Se a época for demasiado seca, rega o teu jardim de cogumelos duas vezes por semana" (Michael S. Smith).
Amanita muscaria
Armazenamento :
Os cogumelos secos podem ser guardados durante muito tempo; apenas após alguns meses a sua potência diminuirá.
Referências :
Experiences no Erowid
Amanita Notes por Michael S. Smith
The Genus Amanita Pers. (Agaricales) (incluindo a imagem superior desta página)
Muscaria.com (imagem do livro Soma)

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