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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

O MAIOR DEPÓSITO DE PLÁSTICO DO MUNDO FICA NO MAR



Como sabemos os oceanos e mares não são massas de águas estáticas. Muito além do que é mais visível, principalmente devido às marés (influenciadas pela gravitação lunar) e das ondas (influenciadas principalmente pelo vento), as grandes massas de água agitam-se e movimentam-se devido às correntes marítimas (fenômeno proveniente, principalmente, das diferenças de temperaturas entre as várias zonas dessas mesmas massas de água, ou daquelas que com elas confinam). Assim, as águas marítimas e oceânicas estão em constante movimento, com correntes bem definidas que deslocam quantidades imensas de água, com forças capazes de arrastar quase tudo. Nesse tudo inclui-se muito do lixo que se deposita deliberadamente ou que indiretamente acaba por ir parar a essas grandes massas de água. No caso dos plásticos, por serem de difícil desintegração, e serem muitas vezes leves o suficiente para serem arrastados e ficarem até em suspensão, o problema do lixo oceano adquire uma nova dimensão.


Civilização Congelada - Arman
Na maior parte dos oceanos existem zonas onde a confluência de várias correntes tende a criar zonas neutras, ou seja, zonas onde as correntes se anulam e equilibram, onde os detritos se acumulam em suspensão contínua [2]. Criam-se assim vórtices e respetivas zonas propensas de acumulação, que podem ocupar zonas imensas, maiores que estados e países – por exemplo, o vórtice de lixo do Pacífico Norte é maior que o estado do Texas (695.661,56 km2) -, onde determinados tipos de lixo se vão acumulando, especialmente os leves e quase indestrutíveis plásticos.
Apesar dos plásticos poderem ser inertes, a fauna e flora marítima desses locais de acumulação oceânica está sendo influenciada pela presença dos objetos estranhos. Muitos dos peixes, e outros animais (aves, tartarugas e mamíferos aquáticos) ingerem os plásticos, confundindo-os com alimento [1]. Ao perigo inerente ao próprio plástico, juntam-se os efeitos de outros poluentes muito mais perigosos que, pelo efeito “esponja”, lhes aderem. Além de ser perigoso para a vida marinha, a influências destes poluentes pode afetar indiretamente a saúde humana, uma vez que podemos estar ingerindo, por exemplo, peixes que, por sua vez, ingeriram esses produtos potencialmente perigosos. Dados da Greenpeace sugerem que para cada quilo de plâncton existente na zona do vórtice do Pacífico Norte existe 6 quilos de plástico [1]. Mas essa grande quantidade de plástico nem sempre corresponde a pedaços de grandes dimensões (a maior parte tem cerca de 1 cm ou muito menos). Têm sido reveladas fotografias falsas, especialmente na Internet, como sendo do vórtice de Lixo do Pacífico, no entanto algumas delas são de outros locais (habitualmente lagos e rios altamente poluído, próximos de locais de forte ocupação humana) [3].
Localização da Sopa de plástico
No entanto alguns estudos desvalorizam, parcialmente, ou simplesmente concluem que pouco se poderá dizer quanto aos efeitos reais da ingestão de plástico pela fauna. Apesar disso não se negam os efeitos dos plásticos nesses ecossistemas. É consensual que os elementos estranhos, como os plásticos, levam ao desequilíbrio ambiental, uma vez que os pedaços de plástico estão fazendo crescer outros organismos à sua volta, ou até transportar novas espécies estranhas para a zona [3][4]. 
Independentemente dos impactos ambientais, um dia, no futuro, quando escassear matéria-prima para produzir plásticos, ou simplesmente no vórtice do lixo a concentração de polímeros for tão grande que se torne viável a sua reutilização – porque a tendência é continuar a crescer -, talvez aquela seja de fato uma das maiores fontes para a obtenção de novos produtos de plástico. 
Vídeo (Espanhol)

video

Referências Bibliográficas
[3] "Lies You’ve Been Told About the Pacific Garbage Patchhttp://io9.com/5911969/lies-youve-been-told-about-the-pacific-garbage-patch
[4] "Increased oceanic microplastic debris enhances oviposition in an endemic pelagic insect" http://rsbl.royalsocietypublishing.org/content/early/2012/04/26/rsbl.2012.0298.full#F1

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