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segunda-feira, 19 de maio de 2014

ENCONTRADO “ELO PERDIDO” QUE PODE SOLUCIONAR O ENIGMA DOS PRIMEIROS HABITANTES DAS AMÉRICAS


Um esqueleto datando de mais de 12.000 anos atrás está ajudando a resolver um mistério: o de como os primeiros seres humanos chegaram nas Américas e adquiriram a aparência que hoje têm.

Os antropólogos se intrigavam com a ideia dos nativos americanos não se parecerem muito com seus ancestrais, que migraram para as Américas durante o Pleistoceno, época que englobou a última idade do gelo e terminou cerca de 12.000 anos atrás.
Os crânios antigos são maiores, com rostos mais estreitos e mais “para frente”, e se parecem mais com os povos nativos da África, Austrália e sul da costa do Pacífico do que com seus supostos descendentes americanos.
Os pesquisadores não sabiam se essas diferenças eram o produto de mudanças evolutivas nas populações que chegaram aqui, ou se os paleoamericanos, os primeiros habitantes das Américas, foram substituídos por outra população com mais recursos e mais parecida com os nativos americanos posteriores.
Agora, uma equipe liderada pelo arqueólogo James Chatters relatou na revista Science a descoberta do mais antigo e completo esqueleto já encontrado nas Américas, com idade entre 12 e 13 mil anos. O esqueleto contém características craniofaciais de antigos paleoamericanos, bem como DNA mitocondrial possuído pelos modernos nativos americanos.
A descoberta
O esqueleto, apelidado de “Naia” (nome grego antigo relacionado com ninfas de água), pertencia a uma adolescente que caiu mais de 30 metros dentro de uma elaborada rede de cavernas cársticas que estavam em grande parte secas no final do Pleistoceno.
Os mergulhadores que encontraram Naia na caverna da península mexicana de Yucatán nomearam a sepultura de Hoyo Negro (“olho negro”, em espanhol).

O rosto de Naia é estreito com olhos bem-definidos, uma testa proeminente baixa, um nariz achatado e dentes que se projetam para fora – o oposto do que os nativos americanos se parecem hoje. Mas seu DNA conta outra história.
“Esta é a primeira vez que temos dados genéticos de um esqueleto que apresenta estas características faciais”, disse Deborah Bolnick, geneticista antropológica da Universidade do Texas em Austin (EUA) e uma das coautoras do estudo.
História (e por que o Brasil está nela)
Análises genéticas dos modernos nativos americanos indicam que eles descendem de uma população fundadora que se originou na Ásia. Eles foram isolados de outros grupos populacionais durante milhares de anos em algum lugar dentro ou perto da região conhecida como Beríngia, uma ampla faixa de terra que ia da Sibéria ao Alasca durante o último máximo glacial.
Foi lá que essa população fundadora da América desenvolveu seus marcadores genéticos únicos.
Essa teoria, chamada de teoria mongólica, dita, então, que o homem americano migrou para a América há cerca de 15.000 anos através do Estreito de Bering. Os primeiros povos que migraram para cá, por sua vez, originaram todos os povos americanos, incluindo os nativos índios do Brasil.
Alguns cientistas argumentam que o ameríndio possui origem múltipla, migrando não só através da Beríngia, como também das Ilhas do Pacífico, oriundos da Polinésia e Austrália. Já outros debatem essa ideia dizendo que o houve, na verdade, foram ondas sucessivas de imigrações.
Um trabalho científico de dois geneticistas brasileiros, Sérgio Danilo Pena e Fabrício Santos, publicado na revista Science em março de 1999, confirma o parentesco genético entre tribos de seis países americanos (Brasil, Peru, Argentina, Colômbia, México e Estados Unidos) e um pequeno povoado nas Montanhas Altai, localizado entre a Sibéria, Rússia e Mongólia. Este trabalho foi apresentado como prova irrefutável da origem asiática dos ameríndios, os quais penetraram o continente pelo Estreito de Bering.
Somos um só
A descoberta de Hoyo Negro segue o sequenciamento genômico recente dos restos de uma criança de 12.600 anos de idade encontrada em Montana (EUA), que também revelou uma ancestralidade comum com os nativos americanos.
Até as novas descobertas, no entanto, poucos dados genéticos de esqueletos paleoamericanos estavam disponíveis, deixando a sua relação com os nativos americanos mal compreendida.
Os dados genéticos da descoberta de Montana são superiores aos de Hoyo Negro porque são derivados do DNA mitocondrial e nuclear, fornecendo uma raiz muito mais abrangente do que apenas o DNA mitocondrial, que traça somente linhagens maternas. A desvantagem do espécime de Montana é que ele é muito menos completo: foram encontrados apenas quatro ossos e uma porção da caixa craniana.
“Agora temos dois espécimes a partir de um ancestral comum que veio da Ásia”, disse Michael Waters, da Universidades Texas A & M (EUA). “Eles são complementares e mostram que os paleoamericanos são geneticamente relacionados aos povos indígenas, de modo que eles não são uma população de substituição. Suas diferenças têm de ser resultado de uma mudança evolutiva. O que levou a essa mudança, nós não sabemos”.
Chatters especula que a morfologia dos antigos americanos pode ter mudado conforme suas condições de vida mudaram.
Logo que os caçadores-coletores altamente móveis tornaram-se mais estáveis, os processos evolutivos podem ter selecionado traços mais domésticos, resultando nas características arredondadas e suaves vistas nos rostos dos nativos americanos.
“Você começa a ver essas formas mais domésticas quando as mulheres têm mais controle sobre o fornecimento de alimentos, quando não são tão dependentes de homens agressivos”, diz Chatters.
Ele acrescentou que esse processo de retenção de alguns traços juvenis pode ser visto em populações em todo o Hemisfério Norte entre o final do Pleistoceno e os tempos modernos.
As evidências são fortes…
Em 2007, ao explorar e mapear o sistema de cavernas mexicanas Sac Actun, os mergulhadores descobriram um conjunto de ossos na parte inferior de uma câmara enorme. Os ossos incluíam os de felinos com dente de sabre extintos, preguiças gigantes e outros animais do Pleistoceno, bem como esqueleto de Naia.

A menina estava provavelmente em busca de água. “A água teria sido escassa naquele período. Não existem lagos e rios na região, assim as pessoas e os animais tinham que se aventurar em cavernas”, especula o arqueólogo Dominique Rissolo.
Naia foi encontrada com uma bacia quebrada, provavelmente a partir do impacto da queda. Ela também mostra sinais de cáries e osteoporose, talvez como resultado de engravidar em uma idade precoce, antes de atingir a maturidade física completa.
A submersão da caverna entre 10.000 e 4.000 anos atrás ajudou a preservar o esqueleto de Naia, e a falta de deposição de sedimentos deixaram seus ossos à vista clara para os mergulhadores. “Ela está muito mineralizada, o que é ótimo para obter medidas esqueléticas”, disse Rissolo. “Mas, para datar, é uma situação completamente diferente”.
Sem qualquer colágeno ósseo para datação por radiocarbono, a equipe triangulou a idade do esqueleto determinando a idade de cristais de calcita conhecidos como “florzinhas” crescendo sobre os ossos de Naia, e estudando fezes de morcego nas proximidades e o esmalte dos dentes da Naia.
Tudo isso, juntamente com os restos animais da era do Pleistoceno nas proximidades e as estimativas de quando a caverna teria inundado, levaram a equipe a concluir que ela tinha pelo menos 12.000 anos, talvez mais perto de 13.000.
…mas descarte a certeza
De acordo com David Meltzer da Universidade Southern Methodist, no Texas (EUA), variações físicas existem em qualquer população e a amostra que temos (apenas dois indivíduos, sendo que um não está completo) é muito pequena.
“Imagine analisar uma dúzia de crânios de Nova York, eles não seriam muito parecidos. Temos que ser muito cuidadosos ao tirar conclusões baseadas em amostras relativamente pequenas. Isso é verdade para a anatomia do esqueleto, e é verdade para a genética”, argumentou.
Os pesquisadores agora esperam sequenciar todo o genoma de Naia. “A tecnologia atual permite isso, mas ainda será um desafio”, disse Brian Kemp, antropólogo molecular na Universidade Estadual de Washington (EUA).
Eles também esperam encontrar mais esqueletos que apoiem suas conclusões. “Você não prova um argumento baseado apenas em um exemplo, na ciência”, disse Chatters. [NatGeo, LiveScience, Phys, HistoriadoMundo]

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