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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

PERU INVESTIGA MORTE MISTERIOSA DE 10 MIL RÃS GIGANTES NA REGIÃO DO LAGO TITICACA


A rã gigante do Titicaca (Telmatobius culeus) é uma espécie considerada em risco de extinção

A agência ambiental do Peru está investigando a morte de 10 mil rãs conhecidas como "gigantes do Titicaca". Os animais foram encontrados no Rio Coata, que desemboca no famoso lago peruano, na região sul daquele país.
O Comitê de Luta Contra a Contaminação do Rio Coata diz que o motivo das mortes é a poluição das águas.
De acordo com a organização, o governo peruano ignorou pedidos pela construção de uma estação de tratamento de esgoto no local e tem falhado em resolver o problema da poluição.
A rã gigante do Titicaca (Telmatobius culeus) é uma espécie considerada em risco de extinção e é encontrada apenas nas águas frescas do lago que fica entre o Peru e a Bolívia, assim como em seus afluentes.
Em protesto, ativistas levaram cerca de cem rãs mortas para a praça central da capital regional, Puno.
"Tive que trazer as rãs mortas. As autoridades não sabem como estamos vivendo", disse a líder do comitê, Maruja Inquilla, à agência de notícias AFP. "Eles não têm ideia de que a poluição é enorme. A situação está fora de controle."
O Serviço Nacional Florestal e de Fauna Silvestre (Serfor) informou que está investigando o ocorrido.
"Com base nas declarações dos moradores e nas amostras retiradas dias depois do incidente, acredita-se que mais de 10 mil rãs foram afetadas ao longo de cerca de 50km", diz a Serfor em comunicado.
A rã gigante do Titicaca tem enormes dobras na pele, o que aumenta sua área de superfície e ajuda o anfíbio a absorver mais oxigênio do ar.
A espécie corre sério risco de extinção porque os humanos capturaram muitas dessas rãs para comer. Além disso, seu hábitat natural está sendo perdido e espécies invasivas têm dominado o que restou.
Ativistas dizem que governo ignora alertas sobre poluição nas águas do lago
O lago Titicaca, partilhado por Bolívia e Peru e considerado o mais alto do mundo por estar a quase 4.000 metros sobre o nível do mar, recebe através do rio Katari vazamentos procedentes da cidade de El Alto, uma das mais povoadas do país andino e que na última década cresceu de forma descontrolada.
Resíduos hospitalares, industriais e substâncias líquidas procedentes dos lixões urbanos fluem diariamente à bacia do lago, cujas águas adquiriram um tom verdoso e uma textura oleosa, ao que se soma o mau cheiro.
A rã ou sapo gigante do Titicaca, cujo nome científico é "Telmatobius culeus", foi descoberta por Cousteau em 1969 durante suas imersões no lago andino e Bolívia a declarou espécie ameaçada em 1996.
Em setembro do ano passado o governo do departamento de La Paz apresentou um projeto para despoluir o lado boliviano do Titicaca que consiste em instalar em suas margens uma usina de tratamento de águas em uma superfície de 26 hectares, com um custo de US$ 6,5 milhões.

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