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sábado, 30 de janeiro de 2016

SERÁ QUE UM SÓ CASAL SERIA SUFICIENTE PARA SALVAR A ESPÉCIE HUMANA?



Imaginemos a Terra daqui a cem anos. Suponhamos que os esforços da Humanidade tenham dado errado e um levante de robôs tenha eliminado todos os seres humanos do planeta – um destino previsto por Stephen Hawking em 2014.
Mas um casal sobreviveu. Será que ele seria suficiente para repovoar o planeta?
A resposta é mais do que uma curiosa discussão de mesa de bar. Das pesquisas da Nasa sobre o número de pessoas necessárias para colonizar um novo planeta a decisões de biólogos sobre a preservação de espécies ameaçadas, trata-se de um assunto cada vez mais importante e urgente no cenário internacional.
Humanos têm capacidade de recuperar suas populações em pouco tempo, segundo estudos
A primeira geração descendente desse casal fictício seria de irmãos e irmãs que teriam que se procriar entre si. Mas o incesto não só é um enorme tabu como também é muito perigoso.
Um estudo com crianças nascidas na antiga Tchecoslováquia entre 1933 e 1970 mostrou que quase 40% daquelas cujos pais eram parentes em primeiro grau apresentavam deficiências graves, enquanto 14% morreram ainda na infância.
Probabilidades aumentadas
Para entendermos por que a consanguinidade é tão perigosa, precisamos nos lembrar das aulas de genética.
Todos nós temos duas cópias de todos os genes, um da mãe e outro do pai. Mas algumas variações genéticas não se manifestam, a não ser que os dois genes sejam exatamente iguais. São as chamadas variações “recessivas”, que escapam do radar evolutivo porque sozinhas não causam problemas.
Quando o casal tem um parentesco, não demora muito para esse “disfarce” cair. É o caso, por exemplo, da acromatopsia, um distúrbio recessivo raro que provoca o daltonismo. Se um de nossos sobreviventes pós-apocalipse tiver esse gene, há 25% de chance de eles terem um filho com o mesmo gene.
Até aí tudo bem. Mas depois de apenas uma geração de casamentos consanguíneos, o risco dispara – 25% de chance de um filho ter os dois genes e apresentar o distúrbio. Isso significa 1 chance em 16 de que cada neto daquele casal original nasça com a doença em si.
Foi isso o que aconteceu com os habitantes de Pingelap, um atol isolado no oeste do Pacífico. A população inteira descende de apenas 20 sobreviventes de um tufão que atingiu o local no século 18. Um deles tinha o gene da acromatopsia. Hoje, 10% da população é daltônica.
Os efeitos negativos dos casamentos consanguíneos surgiram nas famílias reais da Europa
Os riscos da realeza
Mesmo tendo em mente esses riscos, se os sobreviventes de nossa experiência tivessem muitos filhos, pelo menos alguns deles seriam saudáveis. Mas o que acontece quando a consanguinidade prossegue por centenas de anos?
Não é preciso ir para uma ilha isolada para descobrir isso. Há uma comunidade no mundo que costuma promover o casamento entre parentes próximos: as famílias reais europeias. Com nove gerações de casamentos estratégicos entre primos, tios e sobrinhos ao longo de 200 anos, os Habsburgos, da Espanha, se revelaram uma espécie de grande laboratório natural.
Carlos 2º foi a vítima mais famosa dentro da família. Nascido com várias deficiências físicas e mentais, o rei só aprendeu a andar aos 8 anos de idade. Quando adulto, sua infertilidade resultou na extinção de toda uma dinastia.
Em 2009, uma equipe de cientistas espanhóis descobriu a origem das aflições do rei. Seus ancestrais eram tão emaranhados que seu “coeficiente de consanguinidade” era maior do que se tivesse sido gerado por um casal de irmãos.
Queda na qualidade reprodutiva
Essa também é a medida usada por ecologistas para avaliar os riscos genéticos enfrentados por espécies ameaçadas.
“Em uma população reduzida, todos os indivíduos acabarão sendo parentes em algum momento. Conforme o parentesco aumenta, os efeitos da consanguinidade se tornam mais importantes”, explica Bruce Robertson, zoólogo da Universidade de Otago, na Nova Zelândia.
Ele é especializado no estudo dos kakapos, uma espécie de papagaio gigante que não voa que é típica do país mas hoje só tem 125 representantes no planeta.
Uma das maiores preocupações dos biólogos são os efeitos da consanguinidade na qualidade dos espermatozoides. Isso aumentou a proporção de ovos que não resultam em nascimento de filhotes de 10% para 40%. “É um exemplo do problema causado pela exposição a falhas genéticas recessivas em uma população”, diz Robertson.
Evolução e imunidade
Espécies ameaçadas também enfrentam riscos a longo prazo. Apesar de elas já estarem bem adaptadas a seu ambiente, a diversidade genética permite que as espécies evoluam para se adaptar a futuras mudanças. E a imunidade é provavelmente a característica mais importante trazida pela evolução.
“Trata-se de um aspecto que muitas espécies parecem dispostas a preservar, ao procurarem parceiros com uma composição imunológica diferente, para que os filhotes apresentem uma gama maior de defesas. Nós, humanos, também fazemos isso”, afirma Philip Stephens, zoólogo da Universidade de Durham, na Grã-Bretanha.
Mas mesmo se nossa espécie conseguisse se reproduzir e sobreviver, teríamos humanos irreconhecíveis em relação ao que somos hoje.
Quando pequenos bolsões de indivíduos permanecem isolados por muito tempo, eles se tornam suscetíveis à perda da diversidade genética. Os novos humanos não só iriam ter uma aparência e uma voz diferentes, como também poderiam ser uma espécie totalmente distinta.
Proteção de espécies
Então, qual a variedade genética necessária para uma reprodução bem-sucedida?
Essa é uma discussão que começou nos anos 80, quando um cientista australiano propôs uma regra básica: a de que são necessários 50 reprodutores para evitar problemas reprodutivos decorrentes da consanguinidade, e outros 500 indivíduos para que a população consiga se adaptar ao ambiente”, explica Stephens.
Essa regra ainda é usada hoje em dia, mas os números foram aumentados para 500 reprodutores e 5 mil indivíduos a mais, para compensar perdas aleatórias de genes passados de uma geração para a outra. É o critério usado para manter o catálogo das espécies mais ameaçadas do mundo.
Mas antes de desistir daquele casal de sobreviventes, lembremos que somos a prova viva das falhas inerentes desse conceito.
Segundo evidências arqueológicas e anatômicas, nossos ancestrais não teriam atingido essa meta populacional, já que apenas mil indivíduos viveram durante um período de 1 milhão de anos.
Entre 50 mil e 100 mil anos atrás, enfrentamos novas dificuldades quando nossos ancestrais emigraram da África. Fomos deixados com uma diversidade genética impressionantemente baixa.
Um estudo realizado em 2012 sobre as diferenças genéticas de grupos vizinhos de chimpanzés indicou que há mais diversidade em cada um deles do que entre todos os 7 bilhões de seres humanos que vivem hoje na Terra.
Colonizando outro planeta
Em 2002, o antropólogo John Moore publicou um estudo pela Nasa, no qual calculou a quantidade de indivíduos necessários para colonizar um novo planeta. Ele fez uma estimativa moldada nos pequenos grupos nômades da pré-História – cerca de 160 pessoas.
Moore recomendou começar com casais jovens e sem filhos, e testá-los para a presença de genes recessivos potencialmente perigosos.
Seus números permitem 200 anos de isolamento antes que os pioneiros colonizadores pudessem voltar à Terra.
Basicamente, se o apocalipse não destruir as bases da civilização moderna, a Humanidade pode reflorescer de maneira surpreendentemente rápida.
Na virada do século 20, os huteritas da América do Norte, cuja comunidade (semelhante à dos Amish) é altamente consanguínea, atingiram o maior nível de crescimento populacional já registrado, dobrando a cada 17 anos.
Pode parecer muito, mas se cada mulher do futuro tivesse oito filhos, poderíamos voltar a ser 7 bilhões em apenas 556 anos.



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