Esta foto foi escolhida pela BBC 28 de setembro, 2012 como uma das 20 mais bonitas

Sejamos proativos nas questões relacionadas às mudanças climáticas, pois não seremos poupados de seus efeitos devastadores a curto e longo prazo.
gmsnat@yahoo.com.br
Um Blog diferente. Para pessoas diferentes!

Grato por apreciar o Blog.
Comentários relevantes e corteses são incentivados. Dúvidas, críticas construtivas e até mesmo debates também são bem-vindos. Comentários que caracterizem ataques pessoais, insultos, ofensivos, spam ou inadequados ao tema do post serão editados ou apagados.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

DATURA. UMA PLANTA MÁGICA?


Datura é um nome genérico que abrange várias espécies.
A mais conhecida é a Datura Stramonium. No Brasil é conhecida como Trombeteira ou Lírio. No Perú é também conhecida como Floripôndio ou Tóe. 
Datura ou Lírio
É utilizada desde a antiguidade, citada até na obra de Homero "Odisséia”. Conta que Ulisses chegou à ilha habitada pela ninfa Circe, esta deu de beber à tripulação uma poção, para que os marujos pudessem esquecer de sua terra natal.
Na Idade Média, a Datura compunha várias poções e unguentos de feiticeiras. Conta-se que a pasta de Datura que as bruxas medievais aplicavam um unguento de Datura em várias partes do corpo, incluindo a genitália e o ânus, para produzir a sensação de estarem voando em suas vassouras.
Lu Gomes e Roberto Navarro (Planeta) descrevem que a imagem da bruxa voando na vassoura é considerada o estereótipo de um tipo específico de feiticeira medieval que se utilizava principalmente da Datura Stramonium. Talvez por isso a planta tenha sido apelidada de “erva do demônio e cizânia”.
A datura também era usada por motivos religiosos pelos índios que habitavam o sudoeste dos EUA e México antes da chegada do colonizador branco.
Segundo Sangiradi Jr. “planta sagrada dos Zunis, índios da cultura pueblo, o estramônio (a'neglakya) pertence aos sacerdotes da chuva e aos chefes de certas fraternidades religiosas”. Somente o xamã pode colher esta erva. Ingerida, leva ao estado de transe que permite ouvir as vozes dos pássaros, curar e adivinhar. Também é usada pelos médicos-feiticeiros como tópico, em ferimentos e contusões.
Schhultes diz que os índios do nordeste dos Estados Unidos fazem uso limitado, mas o estramônio é o principal ingrediente do Wysoccan, bebido pelos algonkins, leste dos Estados Unidos, antes de um rito de passagem, em que se processa a iniciação dos adolescentes.
Também utilizada por índios que habitavam o sudoeste dos EUA e México antes da chegada da colonização. Os componentes da planta são extremamente potentes e perigosos.
Don Juan, no livro "A Erva do Diabo" de Carlos Castañeda :
"A erva-do-diabo tem quatro cabeças; a raiz, a haste e as folhas, as flores e as sementes. Cada qual é diferente, e quem a tornar sua aliada tem de aprender a respeito delas nessa ordem. A cabeça mais importante está nas raízes. O poder da erva-do-diabo é conquistado por meio de suas raízes. A haste e as folhas são a cabeça que cura as moléstias; usada direito, essa cabeça é uma dádiva para a humanidade. A terceira cabeça fica nas flores, e é usada para tornar as pessoas malucas ou para fazê-las obedientes, ou para matá-las. O homem que tem a erva por aliada nunca absorve as flores, nem mesmo a haste e as folhas, a não ser no caso de ele mesmo estar doente; mas as raízes e as sementes são sempre absorvidas; especialmente as sementes, que são a quarta cabeça da erva-do-diabo e a mais poderosa das quatro".
A ingestão de sementes de datura eram parte de um rito de passagem feitos por jovens da tribo huichol. Eles retornam do delírio sem a memória de sua mãe, como se nascessem do nada, do vazio. As folhas secas de datura eram fumadas para combater os efeitos da asma.
O nome Datura, a sua denominação genérica, é a partir do Hindu Dhatura (dhat = a essência eterna (de Deus)), que foi derivada do sânscrito nome D'hastura.
Segundo Sangirardi Jr
"a intoxicação produzida pela droga tem duas fases opostas: a uma exaltada agitação segue-se o sono profundo e inquieto. Os sintomas são provocados por dois alcaloides do grupo tropano, que atua sobre os sistemas nervosos, periférico e central. Esses dois alcaloides, dos quais a atropina é um composto racêmico, são: escopolamina (histocina), o principal e hiosciamina.
A Datura dos Andes
Datura arborea (Brugmânsia arborea) Flores de corola branca, por vezes amarelada com 15 a 18 cm de comprimento. 
Datura Branca
No preparo da bebida mágica, raspa-se a casca do tronco, que é espremida numa cabaça. A dose média é aproximadamente um copo comum (200ml), o suficiente para provocar as duas clássicas etapas da embriaguez com esse tipo de substâncias : exaltação furiosa e depressão com sono comatoso.
Reinburg observou que, entre os zaparos, a issioma é reservada aos homens e constitui, quase sempre, uma bebida de prova para aspirantes de xamã.
Para os jivaros, a maikoa é beberagem dos guerreiros, que consultam os espíritos antes de partirem em expedição. Tem outros usos ainda como para o marido traído saber quem é o sedutor da esposa
Kastern menciona a grande festa do tsantsá, em que os guerreiros, na floresta, tomam uma bebedeira profética. Na grande festa em honra do tambor sagrado, os mais velhos tomam maikoa e no dia seguinte, interpretam os próprios sonhos.
Seja qual for o tipo de datura, quantidades excessivas ou uso prolongado podem levar a convulsões, coma, danos permanentes no cérebro. Os seus alcaloides são extremamente potentes e perigosos.
Lewin, descrevendo os sintomas físicos e psíquicos provocados pela datura, mostra a preponderância de violência insanidade e tendência de cometer desatinos. "Mais graves, diz o toxicologista alemão, eram os efeitos provocados pelos fanáticos religiosos, os taumaturgos, os magos, os sacerdotes e charlatães que, ao longo das cerimônias cultuais, faziam fosse aspirada a fumaça da planta atirada sobre um braseiro.

Curiosidade: Vale mencionar que os negros escravos do Brasil preparavam o chamado amansa-senhor, com plantas tóxicas, entre as quais as raízes pulverizadas do estramônio. Servida pela mucama ou pelo pajem, misturada com alimentos líquidos, a planta levava a vitima à demência ou as portas da morte. Os escravos estavam é certo em fazer isto com os que lhes achavam donos.
Entre nós o estramônio tem vários empregos na medicina popular, notadamente contra asma e coqueluche. Contra a asma fumam-se as folhas secas, que muitos compram nos ervanários, de onde a advertência de Hoehne: cuidado ao usar.

NOTA DO BLOG: Esta planta é usada, por muitas pessoas como remédio, então muito cuidado, pois as pessoas que não sabem preparar o chá, para uso, podem acabar se envenenado. A diferença entre remédio e veneno, é a dosagem. Não estou aqui incitando a ninguém fazer uso da planta pois seu princípio ativo é extremamente perigoso. 

4 comentários:

  1. Nossa!!! Não sabia que esta planta era assim tão venenosa, mas como tudo na natureza tem o lado positivo, ela está cumprindo a função muito bem.

    ResponderExcluir
  2. Esta planta na verdade é um potente alucinógeno. É usada desde a antiguidade, nas cerimonias religiosas pagãs e para outras atividades, onde o ser humano "viajava" para abrir a mente.

    ResponderExcluir
  3. Tenho medo dessa planta, fui disciplinado por essa planta

    ResponderExcluir
  4. O bom dela é a raiz. Te abre a mente.

    ResponderExcluir