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quarta-feira, 23 de maio de 2012

O USO DO BACLOFENO NO TRATAMENTO DO ALCOOLISMO

Quando é que uma bebida "inofensiva" antes do jantar tornar-se um vício "prejudicial"? 
Um número crescente de médicos na França está prescrevendo um remédio normalmente utilizado para tratar dores musculares, a fim de ajudar os alcoólatras desistirem da bebida. Um estudo recente descobriu que tem efeitos notáveis. Muitos pacientes pararam de beber dentro de semanas após o tratamento com baclofeno.
Ação do baclofeno
O baclofeno é uma medicação aprovada pelo FDA (Food and Drug Administration) como um relaxante muscular, ou seja, com atividade antiespástica. Essa medicação exerce ação depressora sobre o Sistema Nervoso Central, através de ação específica sobre receptores inibitórios (GABAb).

Lioresal, baclofeno, baclofen

 Diminui fissura por álcool
Os efeitos do baclofeno na redução da fissura por álcool podem ser explicados pela sua capacidade de interferir com os substratos neuronais que medeiam as propriedades reforçadoras do etanol. Essa hipótese poderia explicar o rápido efeito do baclofeno na redução do pensamento obsessivo pelo álcool já verificado em algumas pesquisas realizadas com alcoolistas.
Em pacientes dependentes de álcool, alguns estudos abertos e *duplo-cegos utilizando a medicação baclofeno foram já desenvolvidos e concluídos. Um dos primeiros estudos publicados em revista científica, com o baclofeno sendo administrado na dosagem de 15mg/d nos primeiro 3 dias e depois 30mg/d por 30 dias, demonstrou eficácia. No segundo estudo, com 9 homens e 3 mulheres recebendo baclofeno na dose de 30mg/d por 12 semanas, a medicação foi efetiva na redução do consumo de álcool, na manutenção da abstinência e na redução da fissura.
Em estudo duplo-cego randomizado placebo-controlado com 39 homens dependentes de álcool (20 pacientes em uso de baclofeno 15 mg/d nos 3 primeiros dias e depois 30 mg/d divididos em 3 tomadas diárias por 4 semanas e 19 pacientes em uso de placebo), 70% daqueles que fizeram uso de baclofeno permaneceram abstinentes durante a pesquisa contra 21% dos pacientes em uso de placebo.
Recentemente, publicou-se outro estudo duplo-cego randomizado com 84 dependentes de álcool com cirrose hepática, no qual metade dos pacientes tomou 15mg/d nos 3 primeiros dias seguidos por 30mg/d de baclofeno (com a dose de 10 mg tomada por 3 vezes ao dia) e a outra metade tomou placebo 3 vezes ao dia por 12 semanas. Dos pacientes em uso de baclofeno, 71% permaneceram abstinentes durante o período do estudo, enquanto dos pacientes que tomaram placebo 29% permaneceram abstinentes.
Nesses estudos, o baclofeno também provou ser efetivo na redução da fissura, reduzindo seus componentes obsessivos e compulsivos e outros componentes ansiosos. Finalmente, o baclofeno foi bem tolerado, com poucos efeitos colaterais e sem risco de abuso.
Entretanto, ainda faltam estudos para averiguar para quais tipos de pacientes a medicação baclofeno pode ser mais eficaz. Similarmente aos prévios estudos farmacológicos para avaliação da eficácia de medicações (como aqueles envolvendo o Acamprosato e Naltrexone) no tratamento do alcoolismo, têm também surgido pesquisas que não demonstram a eficácia do baclofeno sobre o placebo entre dependentes de álcool. Resultados contrastantes devem ser melhor verificados, avaliando para qual tipo de alcoolista essa medicação é mais eficaz.
Sob quaisquer hipóteses ou pretextos, nenhuma medicação por si só deve ser considerada “a pílula mágica” para o tratamento dessa grave doença médica. De fato, pesquisas sérias devem ser desenvolvidas para melhor avaliar a eficácia e segurança terapêutica da medicação, inclusive com doses maiores das que têm sido já utilizadas em pesquisas publicadas em revistas científicas sérias. Certamente, todas as pesquisas envolvendo o uso de medicação devem ter a aprovação de comitês de ética devidamente organizados.
De qualquer forma, o otimismo científico em torno dessa medicação não tem sido pequeno; todavia, o cuidado em relação ao “endeusamento” dessa medicação deve sempre ser considerado, tendo em vista a heterogeneidade dos portadores dessa doença.

No Brasil é vendido com os nomes de: Lioresal. baclofeno, baclofen.

 Curiosidade
A África do Sul tem o maior índice de crianças que são deficientes porque suas mães beberam muito durante a gravidez.


* Duplo-cego: método de pesquisa onde o pesquisador e o sujeito da pesquisa não conhecem exatamente qual o fármaco que está sendo administrado naquele momento.

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