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domingo, 28 de agosto de 2011

BACTÉRIA PODE REVOLUCIONAR COMBATE À DENGUE


“Wolbachia” permite que insetos não sejam infectados pelo vírus
Aedes aegypti vive em países tropicais e subtropicais
Uma nova investigação indica que há uma bactéria capaz de travar a dengue, uma doença que, nos países tropicais e subtropicais, afeta entre 50 e cem milhões de pessoas e mata 20 mil pessoas por ano, sendo que não existe qualquer vacina que a possa prevenir.
Esta doença é provocada por quatro estirpes de um vírus que infecta as pessoas através das picadas do mosquito Aedes aegypti. O vírus causa febre, dores musculares e pode ser fatal, nos casos de febre hemorrágica.
Até agora, a única forma de combater a doença consiste no controle da população de mosquitos. Contudo, dois artigos publicados na “Nature”, indicam que a bactéria agora detectada é capaz de transformar completamente populações locais de mosquitos em poucos meses.
Há dois anos, a equipe de cientistas utilizou a bactéria Wolbachia - presente naturalmente nos mosquitos - para diminuir o tempo de vida do inseto e prevenir o desenvolvimento do vírus. No entanto, esta primeira tentativa falhou, pois a bactéria era muito forte e matava rapidamente os mosquitos.
Depois disso, os investigadores recorreram a uma estirpe da Wolbachia menos violenta e obtiveram um resultado inesperado ao verificar que a bactéria impedia o inseto de ficar infectado pelo vírus da dengue sem matá-lo. Até agora, ainda não se sabe como é que a bactéria protege o mosquito do vírus, mas os investigadores acreditam que pode ser um processo molecular, um aumento da resposta imunitária ou ambos.
Wolbachia não se transmite ambientalmente
 A Wolbachia não se propaga ambientalmente. É hereditária, o que facilita a sua propagação entre mães e filhos. Além disso, os investigadores sabem que só sobrevivem os ovos de mães infectadas pela e que aqueles de insetos fêmea saudáveis que são fertilizados por machos com a bactéria acabam por morrer.
Após perceberem este processo, o grupo de especialistas soltou milhares de mosquitos infectados com a bactéria em Queensland, na Austrália, sendo que a bactéria prosperou. Houve localidades onde a percentagem de mosquitos capturados com a bactéria variava entre 80 e 100 por cento. Também foram encontrados elementos da nova população espalhados em locais onde não foi libertado nenhum inseto.
Com esta taxa de sucesso, o mundo científico está confiante no “início de uma nova era de controle de doenças transmitidas por mosquitos”, disse Jason Rasgon, especialista do Instituto de Investigação de Malária de Johns Hopkins, em Maryland, EUA, num comentário sobre a descoberta publicado também na “Nature”, acrescentando que, como “a população de mosquito é alterada em vez de ser eliminada, os efeitos nos ecossistemas serão mínimos.” Esta técnica poderá agora ser implementada em outros locais do mundo, como Brasil, Vietnam, Tailândia e Indonésia.

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